Odebrecht terá de explicar anotações sobre Lava Jato

Para Polícia Federal, empreiteiro deu instruções para tentar obstruir investigações

Por O Dia

Brasília - Um dia depois de a Polícia Federal indiciar Marcelo Bahia Odebrecht, o juiz federal Sérgio Moro intimou ontem os advogados do presidente da empreiteira a dar explicações sobre anotações encontradas pelos policiais no celular do empresário. Anotações feitas pelo próprio Marcelo Odebrecht, em seu telefone celular, sugerem que ele deu instruções para tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato antes de ser preso.

Para a Polícia Federal, há indícios de que o empresário, preso desde 19 de junho, lançou mão de uma estratégia de confrontar as investigações da Lava Jato, buscando criar “obstáculos” e “cortinas de fumaça”, que contaria com “policiais federais dissidentes”, dupla postura perante a opinião pública, apoio estratégico de integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ataques às apurações internas da Petrobras.

Em seu despacho, Moro observou que tudo está “sujeito a interpretação”, mas demonstrou preocupação com um trecho das anotações que considera “perturbador”. Em um arquivo sem data, Marcelo escreveu “trabalhar para parar/anular (dissidentes PF)”. A análise dos agentes federais é que essa anotação faria uma referência a uma tentativa de atrapalhar as investigações.

PRESSÃO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se reuniu ontem à tarde com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, para tratar da atuação do juiz Moro. Foi a Moro que o lobista Júlio Camargo citou propina de US$ 5 milhões a Cunha.

Acompanhado de seu advogado, o ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, Cunha a pediu pressa na decisão de Lewandowski sobre seu pedido de uma decisão provisória (liminar) para que o processo sobre suposta corrupção na contratação de navios-sonda pela Petrobras seja suspenso na Justiça do Paraná e enviado ao STF.

Cunha argumentou que Moro feriu competência do Supremo ao investigá-lo, uma vez que a Constituição garante que deputados só podem ser alvo de apuração no STF — o chamado foro privilegiado. Ele pediu ainda que o Supremo determine a anulação de eventuais provas produzidas sob a condução de Moro.

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