Bom-senso em tempos de grita

A juventude está aí para reivindicar uma sociedade melhor

Por O Dia

Rio - No mundo inteiro, questões divergentes vão parar nas ruas, e os últimos anos têm sido prolíficos em manifestações. A Primavera Árabe e Ocupe Wall Street são exemplos recentes sólidos de participação popular. No Brasil, o último registro de manifestação de massa foi com os caras-pintadas. De lá para cá, a evolução do país e uma aparente passividade trouxeram tempos de paz. Mas os últimos dias têm rompido a trégua, e o aumento da passagem de ônibus nas metrópoles foi o estopim para atos que, infelizmente, resvalaram para a violência.

O transporte público tornou-se o bode expiatório da inflação recém-desperta que incomoda os brasileiros. Acabou atraindo a ira generalizada porque há insatisfação com a qualidade dos serviços, donde se conclui que é legítimo protestar. Rede social faz barulho, mas este periga ser tão ensurdecedor quanto o guizalhar de grilos. É necessário ir às ruas, apresentar as causas, fazer-se ouvir — desde que com bom-senso. Por abusos entende-se tacar pedras em igreja e incendiar o mobiliário público. O vandalismo é como uma conversa de gritos, na qual ninguém escuta e sobra irracionalidade.

Também está longe de ser racional uma polícia que usa agressão para dissipar manifestantes. É nítida a falta de preparo dessas forças, que quase lincharam cidadãos que estavam no livre direito de protestar. E a bestialidade da PM gera reações igualmente estúpidas. Perdem todos.

A juventude está aí para reivindicar uma sociedade melhor. A polícia, hoje muito mais cidadã e inteligente e menos ‘pé na porta’, deve se ajustar a isso com serenidade.

Últimas de _legado_Opinião