Aristóteles Drummond: A Cesar o que é de Cesar

A mais curiosa personagem da política fluminense parece ser o vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia

Por bferreira

Rio - A mais curiosa personagem da política fluminense parece ser o vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia. É um político de sucesso, foi deputado federal, prefeito três vezes eleito e teve um quarto mandato ao fazer seu sucessor Luis Paulo Conde, que deu continuidade a seus projetos, como a Linha Amarela, e que, como é praxe, depois voltou-se contra seu criador.

Revelado por Leonel Brizola, deu seguimento à carreira sem formar um grupo, embora tenha revelado uma nova e saudável geração de jovens para a vida pública. O prefeito Eduardo Paes e o ex-deputado Índio da Costa são bons exemplos, tendo ainda inspirado o filho, o deputado Rodrigo Maia, que vem se portando como um parlamentar eficiente.

Com apurada curiosidade dos temas relacionados à política, nacional como internacional, é homem de boa leitura, que ilustra os seguidores de seu blog. E não se deixou afetar pelos cargos, tendo concorrido à vereança com a maior naturalidade, vivendo num mundo que é um mar de vaidades e pretensões. Sua mobilidade política, troca de posições partidárias e pactos eleitorais revelam pragmatismo e coerência sempre no sentido positivo. Com origem na esquerda (chegou a viver exilado no Chile), veio evoluindo até ser hoje um pensador liberal, moderno, sem medo dos patrulhamentos, que acabou por superar.

A personalidade é psicologicamente difícil, o que explica a vida pública solitária, sem o que se denomina de um grupo duro de amigos e seguidores. Aliás, postura comum a muitos grandes da história. Ganha, entretanto, certo significado, pois a grandeza que conquistou até agora foi regional. O que não aconteceu com o filho, que, em segundo mandato, já exerceu a liderança de seu partido na Câmara dos Deputados.

Sua candidatura ao Senado na ampla coligação, que uniu as forças vivas do Rio em torno do projeto de reeleição do governador, Luiz Fernando Pezão, comprova o pragmatismo, o sentido do compromisso público, tendendo a crescer à medida que o pleito se aproxima. É político experiente, sem suspeições em relação ao trato da coisa pública nos 12 anos de prefeito, com as qualidades que o eleitor percebe necessárias para um senador da República. No mais, disputa a cadeira até aqui ocupada pelo senador Francisco Dornelles, referido como o melhor entre seus pares, membro da chapa majoritária, como vice-governador.

A campanha teria sido facilitada não fossem as características de seu temperamento. Tivesse passado pela antiga escola do PSD dos mineiros e de mestres do Rio, como os senadores Gilberto Marinho, da capital, e Amaral Peixoto, do interior, teria a coligação mais entusiasmada e unida na campanha. Fica dependendo da percepção do eleitor, dos formadores de opinião, da comparação com os demais candidatos. É exemplo dos que crescem na televisão. Tem o que contar e o que lembrar. E está ligado ao candidato Aécio Neves, que vem crescendo no Rio, onde viveu e estudou.

Aristóteles Drummond é jornalista

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