Marcos Espínola: Em defesa da nossa Polícia Militar

Implantação das UPP trouxe benefícios, sim; porém, já sabemos que continuidade não foi bem executada por vários fatores

Por O Dia

Rio - O assunto é recorrente, porém não podemos ignorar rotineiras notícias que arranham a imagem dos policiais militares sem um contraponto. A violência no Rio é generalizada. Não há mais região A ou B, está por todos os lados. Da mesma forma, os cidadãos são vítimas, inclusive os agentes de segurança. Colocá-los como algozes é camuflar os efeitos de uma tragédia anunciada.

O recente relatório da Anistia Internacional sobre pessoas mortas em supostos confrontos com bandidos, revelando que de 2013 para 2014 houve aumento de 39,4%, tem como título ‘Você matou meu filho — Homicídios cometidos pela Polícia Militar na cidade do Rio’. Bem, de cara já põe rótulo negativo para a PM. Nele, se avalia o impacto dos autos de resistência (mortes decorrentes de ação policial) em comunidades. No entanto, em nenhum momento se avaliam as mortes dos policiais, alvo constante dos bandidos. Não revela a redução de crimes em algumas regiões nem cita avanços. Enfim, nada positivo no texto.

De forma nenhuma pretendemos defender um lado ou outro; porém, um mapeamento mais real deve ser mais abrangente. Do jeito que se divulgam esses dados, a começar pelo título, mostra total parcialidade, o que não é coerente.

A implantação das UPP trouxe benefícios, sim; porém, já sabemos que a continuidade não foi bem executada por vários fatores. Houve redução de crimes. Isso foi fato. Da mesma forma que é fato a violência atual em vários pontos da cidade, inclusive em locais com UPPs.

Colocar todo o ônus em apenas um lado da balança é irresponsabilidade. Não é de hoje que apontamos as falhas na gestão da segurança pública, principalmente a politização da área durante décadas, sendo essa cadeira utilizada como moeda de troca para interesses políticos. Somente nos últimos anos a realidade mudou e foi justamente quando se avançou. Mas ainda continuamos atrás do poderio dos criminosos, que se fortaleceram muito antes.

E o outro fator, que ainda é realidade, é a falta de investimento na inteligência, treinamentos e equipamentos, além de envolvimento do governo federal que possa combater esse caos. Só não viu quem não quis.

?Marcos Espínola é advogado criminalista

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