Orgulhoso, carioca comemora aniversário em grande estilo

Final de semana teve muitas opções para morador do Rio e visitante curtirem a festa dos 450 anos

Por O Dia

Rio - A vontade de festejar e de comer o bolo gigante que tomou a Rua da Carioca deu o tom das comemorações pelos 450 anos do Rio de Janeiro, neste domingo. Por todos os lados da cidade, havia comemorações dos mais variados tipos para inflar o orgulho de quem vive por aqui.

Logo cedo, a cidade foi ‘refundada’. Estácio de Sá chegou à praia na Fortaleza de São João, na Urca, e entregou a chave simbólica do Rio ao prefeito Eduardo Paes. Bruno Estill Senra, de 24, ator que incorporou o desbravador, participa de um grupo de teatro que tem, nos últimos meses, encenado parte da História do Rio.

“Não é todo dia que a gente tem o privilégio de fundar uma cidade”, brincou o ‘Estácio de Sá’ dos 450 anos, durante o evento cívico-militar.

GALERIA: Veja fotos das comemorações pela cidade

Com direito a canhões disparando balas de festim e muita emoção, atores encenaram diante da Fortaleza de Santa Cruz, na Urca, a chegada de Estácio de Sá: história recontadaFernando Souza / Agência O Dia

Por volta das 7h30, quando canhões disparavam balas de festim para anunciar a chegada dele, enquanto uma caravela cruzava o mar, o general Dilson Benevides se emocionava com a homenagem feita a Estácio de Sá, seu parente bem distante.

“É uma honra participar do evento porque, além de ser a comemoração de mais um ano da cidade do Rio, é também uma homenagem a Estácio de Sá, que desbravou estes mares e estas matas", disse o general.

À tarde, Paes inaugurou a terceira sede da Prefeitura: o Palácio Rio 450 anos, em Oswaldo Cruz, na Zona Norte. O espaço foi aberto com samba, cerveja e a presença da Velha Guarda da Portela. O imóvel de 1920 fica no número 920 da Rua Carolina Machado.

Ilustres sambistas, Marquinhos de Oswaldo Cruz e Tia Surica aprovaram o Palácio. “A inauguração vai melhorar a infraestrutura ao redor da sede, e o bairro ficará mais valorizado”, opinou Tia Surica. Ainda na Zona Norte, o cardeal-arcebispo Dom Orani Tempesta celebrou missa na Igreja dos Capuchinhos. Na ocasião, Paes leu trechos da Bíblia. A chave recebida na Urca foi então depositada pelo prefeito aos pés da imagem de São Sebastião. Segundo Dom Orani, o poder público tem o caminho de guiar a cidade e a Igreja Católica esteve junto desde o início da fundação da cidade. “Se preservarmos o passado, a Igreja vai continuar desta forma, com o objetivo de ajudar a sociedade. Ainda mais em calvários, como são as crises no mundo e no país que hoje ocorrem. Queremos pedir paz para a cidade, progresso, a diversidade cultural e das religiões.”

A imagem de São Sebastião foi escoltada até a Rua da Carioca, no Centro, por batedores em motocicletas.

Bolo foi saboreado por milhares de pessoas que cantaram o ‘Parabéns’ no CentroFernando Souza / Agência O Dia

Galera devora bolo gigante e se diverte com glacê na Rua da Carioca

O bolo de aniversário foi montado hoje na Rua da Carioca, no Centro. A guloseima tinha 450 metros de extensão e foi devorada por quem prestigiou o ‘Parabéns pra você’. A criançada também aproveitou o momento para se lambuzar e fazer uma guerrinha divertida com as fatias cheias de glacê. O prefeito Eduardo Paes e o governador, Luiz Fernando Pezão, ao que parece, gostaram do bolo.

A grade que ‘protegia’ a iguaria não foi suficiente para conter a vontade de festa da galera mais ansiosa, que, ao perceber a demora de ser servida em ordem, decidiu ultrapassar a área reservada.

“Percebi que pessoas invadiram, então eu disse para as crianças: ‘Vai, aproveita!’”, disse a ambulante Sara Drummond, de 24 anos.

No entanto, a comemoração no Centro começou tumultuada com um protesto de candidatos já aprovados em concurso para a Guarda Municipal, em 2013. A ação foi controlada após representante da prefeitura propor uma reunião para esta terça-feira.

Na noite de sábado, grande show reuniu cerca de 40 mil pessoas na Quinta da Boa Vista, segundo a organização. Vinte e um artistas subiram ao palco. Vanessa da Mata abriu o espetáculo cantando ‘Samba do Avião’, de Tom Jobim. Um dos pontos altos da festa ficou a cargo de Caetano Veloso e Baby do Brasil.
Juntos, eles cantaram ‘Menino do Rio’. O baiano ouviu gritos de ‘lindo’ e ‘maravilhoso’.

“O Rio é a cidade onde morei mais tempo. Quando criança, o Rio era o que eu mais almejava. Viver no Rio é uma glória”, derreteu-se Caetano.

Também brilharam e emocionaram Paulinho da Viola, que cantou ‘Foi um Rio Que Passou em Minha Vida’, e Zeca Pagodinho, com ‘A voz do morro’. Gilberto Gil também foi recebido calorosamente e cantou ‘Aquele Abraço’. Quase à meia-noite, Neguinho da Beija-Flor cantou ‘O Campeão’ (Domingo eu vou ao Maracanã).

Após a contagem regressiva, queima de fogos, ao som de ‘Cidade Maravilhosa’ celebrou a aniversariante do dia.

?Em cada canto, uma tribo bacana

Basta uma voltinha pelo Rio para perceber que cada cantinho da cidade tem a sua tribo. Na Zona Sul, é muito fácil encontrar estrangeiros que escolheram viver tendo a praia como vizinha. Uma delas é a americana Mandy Gulbrandsen, de 39 anos, que mora há quatro anos no Leblon com o marido (executivo de uma multinacional) e a filha.

“Me sinto mais em casa aqui do que nos EUA. Minha filha, de cinco anos, diz que é brasileira (risos). Adoro a praia, o povo carioca e o carnaval. Já desfilei três vezes.”

Marabá morou no Pavilhão e hoje é diretor do Centro CulturalMauro Pimentel / Agência O Dia

A Lapa é outro pedacinho que recebe estrangeiros que pensam em fixar residência na cidade. O perfil, no entanto, é outro. Em sua maioria, são jovens que trazem na bagagem o desejo de crescer profissionalmente aqui. É o caso do inglês Will Stremes, de 22 anos. “Sou do setor de hotelaria e vou trabalhar em um hostel na Glória. A princípio, vou ficar por três meses, mas, se conseguir o visto de permanência, pode ser que eu não volte”, diz o novo morador do reduto boêmio.

Estrangeirismo à parte, a cidade continua recebendo nordestinos que vêm tentar uma vida melhor. O Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas reúne vários deles. O cearense Raimundo Nonato de Abreu, de 23, está há três deles no Rio e já se adaptou perfeitamente. Ele trabalha em uma barraca na Feira de São Cristóvão. “Vim para cá em busca de emprego, mas gostei daqui de verdade”, diz.

A história de Raimundo se parece com a do maranhense Carlos Marabá, diretor cultural do Centro de Tradições, e que escolheu o Rio para morar há 48 anos. “Quando vim para cá, não tinha nem onde morar, dormia no chão do Pavilhão de São Cristóvão. Sou apaixonado pelo Rio.”

Últimas de Rio De Janeiro