Polêmica no mar

Lista de peixes proibidos causa protestos e comissão estuda alterações

Por O Dia

Rio - A lista de espécies ameaçadas também já enfrenta a sua primeira polêmica. Ela opõe o Ministério do Meio Ambiente ao setor pesqueiro. Estado maior produtor de pescado, Santa Catarina é o que tem feito mais barulho. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Pesca de Itajaí (Sindipi), a inclusão de espécies comerciais, como cherne, garoupa e namorado na listagem vai prejudicar a economia pesqueira da região.

Por outro lado, o Instituto Chico Mendes (ICMBio), vinculado ao ministério, rebate que o número de peixes com interesse comercial que terão sua pesca proibida é pequeno, apenas 46 das 475 espécies consideradas em risco. “Peixes classificados como vulneráveis ainda podem ser pescados se obedecerem a regras de manejo”, afirma Ugo Vercillo, coordenador do ICMBio.

Para o ambientalista José Truda, vice-presidente do Instituto Augusto Carneiro, a questão principal é que os empresários não estão preocupados com a manutenção da vida marinha. “Eles mineram os peixes, querem explorar até acabar e vão embora. Quem sofre são os pescadores artesanais, que não terão onde trabalhar em breve”, adverte ele.

No último dia 5, o Sindipi bloqueou a saída do porto de Itajaí por 30 horas com um transatlântico com mais de duas mil pessoas em protesto contra listagem do governo. Segundo Vercillo, uma embarcação de pesquisa do ICMBio também foi atacada por rojões. Para terminar com a manifestação, foi criado um grupo de trabalho com representantes dos ministérios do Meio Ambiente e Pesca e a participação do Sindipi para estudar possíveis alterações na lista.

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