Pensar no Brasil saiu de moda - final

Por Roberto Muylaert Editor e jornalista

Quando pensei pela primeira vez no 'auxílio-propina' em tom de brincadeira, imaginei que haveria uma rubrica, entre tantas outras que beneficiam os congressistas, a garantir o pagamento de propina razoável para todos, evitando uma roubalheira desenfreada como acontece por aqui. Haja vista que nos Estados Unidos, Europa, Japão, Coreia do Sul, por exemplo, os políticos infratores são presos pelo desvio de valores da ordem de centenas de milhares de dólares. Ali, a quantia de cem mil dólares já colocou muita gente na cadeia. Acontece que há muito pouco tempo foram apresentados os valores das malas de dinheiro do ex-ministro Geddel Vieira, somando R$ 51 milhões em espécie, que levaram 14 horas para serem contadas, utilizando sete máquinas rápidas.

Em seguida, surgem os valores que Antônio Palocci revelou como pagamentos da Odebrecht ao ex-presidente Lula, somando, só a propina em dinheiro, a quantia de R$ 300 milhões.

É claro que Palocci só abriu tudo contra Lula por problema de vingança, não rara entre mafiosos, onde seu ex-ministro e fac-totum deve ter se sentido abandonado por ele.

Resolveu, então, expor ao Brasil a quantia recebida por Lula, aquele que andou há pouco em caravanas no Nordeste declarando que "nunca colocou a mão em nenhum real sujo".

Com tudo isso, a ideia do "auxílio-propina volta a ser recomendada: segundo o procurador Deltan Dallagnol, o Brasil tem desvios de R$ 200 bilhões por ano, o que dá a quantia de 40 milhões por ano para cada um dos cinco mil privilegiados que recebem essa propina, entre congressistas, diretores de estatais, gente do Executivo, etc.

O 'auxílio-propina' reduziria esse valor para R$ 20 milhões por ano para cada beneficiado.

Adotado, o auxílio evita que cada beneficiado exagere na cota, além de economizar R$ 100 bilhões por ano para o país.

Parece piada o que está proposto acima, mas o fato concreto é que não há país que resista ao volume de valores estratosféricos desviados em todas as esferas, no Brasil.

Imaginar um bom candidato para eleger em 2018 é um bom começo, mas é preciso reformular tudo para que o Brasil tenha alguma chance de sucesso em futuro próximo.

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Roberto Muylaert, colunista do DIA Divulgação

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