Ministro agora promete força-tarefa federal contra o crime

Após invasão de traficantes, polícia prende três na comunidade. Já são 4 mortos desde o domingo

Por Bruna Fantti

Durante a invasão de cerca de 100 traficantes, feita pelas principais vias da Rocinha, às 6h20 da manhã de domingo, a Unidade de Polícia Pacificadora local contava com 40 policiais militares em suas bases. Outros 40 agentes já haviam saído na troca de turno. Os números foram confirmados com policiais lotados na UPP Rocinha, unidade que conta com o maior efetivo policial do programa. São 700 policiais, que trabalham em escalas.

Por cinco horas, criminosos rivais trocaram tiros entre si, deixando os moradores da comunidade em pânico. Os poucos policiais presentes se esconderam. A reação, considerada acertada pelo comando da PM para a preservação da vida dos agentes e de moradores, só expôs ao público a falta de controle do Estado sobre o território da Rocinha. Essa realidade, no entanto, já é conhecida pela própria cúpula de Segurança.

Em levantamento obtido pelo DIA, feito pela Polícia Militar e coordenado pelo Instituto de Segurança Pública, houve a conclusão de que, desde dezembro, não é possível realizar a patrulha em 51,6% do total da área da comunidade. "Não é possível circular nessas áreas sem a ocorrência de confrontos", diz trecho do relatório. O documento foi determinante para a reavaliação do projeto que retirou os policiais administrativos das unidades.

Entre as áreas evitadas no patrulhamento diário estão: Laboriux, Macega, Roupa Suja, Cachopa, Cachopinha e Dionéia, por exemplo. Essas regiões fazem limite com a mata, que é usada pelos bandidos para fugas.

É justamente na mata que a polícia acredita que 200 traficantes tenham se refugiado durante a incursão de cerca de 400 agentes das polícias civil e militar, realizada ontem. Na operação, um homem não identificado morreu baleado no alto da comunidade. Segundo a PM, ele teria atirado nos policiais, que reagiram. No total, quatro pessoas foram mortas, desde o domingo, e três foram presas: Wilkler Nobre Barcelo, 20 anos, Edson Gomes Ferreira, 30, e Fábio Ribeiro França, 19.

A informação de que traficantes das favelas de São Carlos (no Estácio) e da Vila Vintém (na Zona Oeste) iriam confrontar traficantes na Rocinha já era de conhecimento da inteligência da Polícia Civil e repassada à PM. Apesar disso, nada foi feito para reforçar a comunidade. De acordo com o porta-voz da PM, major Ivan Blaz, a "corporação trabalha com a possibilidade de invasões a 1.200 comunidades todos os dias".

Ontem à noite, com a saída dos policiais, moradores relataram que homens armados voltaram a circular pelas ruas. Um toque de recolher, inclusive em condomínios de São Conrado, teria sido decretado pelo tráfico.

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