Índices de roubo crescem após Operação Furacão

Números obtidos pelo DIA contrariam declarações do ministro da Defesa, que fez comparação com período menor

Por Bruna Fantti

Ao contrário do afirmado pelo Ministro da Defesa, Raul Jungmann, os índices criminais de roubos a transeuntes e estabelecimentos comerciais não diminuíram após a chegada das forças federais ao Rio. O DIA teve acesso aos registros de ocorrência do Estado do Rio dos 35 dias anteriores à chamada Operação Furacão e do mesmo período após o início da realização no dia 28 de julho.

Em coletiva, na última quinta, Jungmann comparou os 35 dias que antecederam o início das ações integradas com outros 25 dias posteriores. Assim, comparando um intervalo com 10 dias a menos, remetendo o Instituto de Segurança Pública (ISP) como fonte, o ministro comemorou a suposta redução nos índices criminais, como roubos a coletivos, a pedestres, celulares e estabelecimento comercial. "Tivemos redução de 32% no roubos a transeuntes 32%, 14% nos de lojas e 36% nos de celulares", disse. Ainda na coletiva, indagado que estava comparando períodos de tempos desiguais, afirmou que "será o mesmo se compararmos um período maior".

No entanto, na análise dos registros feitos em todas as delegacias do estado, quando é realizada a comparação com o mesmo intervalo de dias, há aumento nos crimes de roubos citados. A reportagem não teve acesso aos registros de homicídio e roubo de cargas, que são feitos em delegacias especializadas.

No levantamento obtido, usando como metodologia a comparação de 35 dias antes e depois do início da operação, foram 9.265 casos roubos a transeuntes contra 10.017 registros posteriores. Já o roubo de aparelho celular teve um aumento de 2.612 casos para 2.883 registros e, o roubo a estabelecimentos comerciais, aumentou de 636 para 748 casos.

Procurado, o ISP disse em nota que "as estatísticas oficiais de criminalidade do Rio de Janeiro são provenientes dos registros de ocorrência lavrados nas delegacias e divulgadas mensalmente, de forma sistemática e transparente". O instituto não divulga intervalos de estatísticas de meses intercalados, como os utilizado por Jungmann, que comparou as datas de 22 de junho a 26 de julho e 29 de julho a 22 de agosto.

Procurado, o Ministério da Defesa não se manifestou. Iniciada no dia 28 de julho, a operação Furacão tem finalidade de combater a violência e o crime organizado no Estado do Rio, com mais de 10 mil agentes de segurança (8.500 das Forças Armadas, 620 da Força Nacional de Segurança, 380 da Polícia Rodoviária Federal e 740 das forças de segurança locais).

Desde sexta-feira, as Forças Armadas estão na Rocinha, após cinco dias de troca de tiros entre traficantes. As tropas foram mobilizadas outras três vezes desde o início da operação Furacão no Rio.

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