01 de janeiro de 1970
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chuva de sucessos

Por RICARDO SCHOTT

Roupa Nova, Capa Guia
Roupa Nova, Capa Guia - Divulgação

Se você perguntar para Ricardo Feghali, tecladista e guitarrista do Roupa Nova, se rola algum nervosismo da parte da banda por causa do show que vão fazer amanhã no Engenhão, vai tomar um susto com a naturalidade do músico. "Nosso primeiro show, em 1980, já foi para mais de dez mil pessoas!", conta Feghali, que com Paulinho (voz e percussão), Serginho Herval (bateria, voz), Nando (baixo, teclados, voz), Kiko (guitarra, voz) e Cleberson Horsth (voz, teclados) estava nas paradas com músicas como 'Canção de Verão' e se apresentava num evento da rádio Cidade no Arpoador, logo na estreia.

De fato, pensou em sucesso, pensou em Roupa Nova - são "pelo menos uns 50", de acordo com a conta de Feghali, que não podem faltar num show. Tem 'Dona', 'A Viagem', 'Linda Demais', 'Clarear', 'Seguindo no Trem Azul', 'Felicidade', 'Whisky A Go Go'... O grupo leva para o Engenhão o show de seu disco mais recente, a ópera-rock 'Todo Amor do Mundo', no qual, a partir de um alter ego, conta a história do próprio Roupa Nova. Mas os hits estarão lá.

O disco é uma ópera-rock. "O garoto da história passa pelo que passamos: rejeição da família quando os pais veem que o filho vai ser músico, primeiros namoros, primeiro contato com drogas. Bom, não usamos drogas, mas vimos de perto, né?", garante Feghali. O personagem passa também por uma etapa crucial, que definiu o futuro do Roupa Nova. "Ele também tem contato com a grande escola da música que são os bailes".

SUBÚRBIO GERAL

Tocando no Engenhão, o Roupa Nova está em casa, já que o grupo rodava por bailes na Zona Norte carioca, nos anos 1980 (ou na década anterior, quando, com formação um pouco diferente, atendiam pelo nome Os Famks). E para completar a sensação de jogar em casa, todos moravam perto das casas de shows.

"Eu sou mineiro, morei em vários lugares, mas morei no Irajá. O Kiko morou em Bonsucesso a maior parte da vida. O Paulinho é da Tijuca, Nando é do Grajaú, o Cleberson rodou um pouco o subúrbio, o Serginho morou perto de Nova Iguaçu...", recorda Feghali. "Temos um relacionamento muito forte com o subúrbio. Fizemos muito baile em bairros como Méier. A gente tem feito casas em que o preço é mais elevado, e a ideia é trazer para a nossa plateia a galera que não pode pagar um ingresso caro. E o nosso show é bonito pra caramba", alegra-se o músico.

FUTEBOL

Gostar de uma banda, para o fã verdadeiro, tem o mesmo apelo de torcer para o time preferido: ir ao show, cantar as músicas com o braço para cima, vestir a camisa (ou colocar a bandana) com a imagem do grupo. Imagina quando música e esporte se encontram. "Tocar no Engenhão cria uma expectativa bacana, o lugar é amplo, o som se propaga mais", conta Feghali, antes de revelar que nas internas do Roupa Nova, discute-se de tudo, menos futebol, já que todos torcem para o mesmo time, o Fluminense. "E a gente passa tanto tempo junto que nem consegue falar sobre qualquer outra coisa que não seja música", conta Feghali.

LADO B

Além dos 50 hits, o Roupa Nova tem várias músicas que os fãs pouco lembram. Feghali diz que já rolou a ideia nas internas de fazer um DVD com os "lados B". "Não daria para fazer um show e apresentá-lo no Engenhão, né?", brinca. "Mas tem muita coisa nossa que a gente não toca mais, até porque os sucessos tomaram conta do repertório. Seria bom relembrar".