Cada vez mais difícil para Temer sustentar Geddel no governo

Nova denúncia revela que parentes de ministro da Secretaria de Governo, acusado de tentar reverter parecer do Iphan sobre construção de prédio, em proveito próprio, advogam para construtora

Por O Dia

Rio - Como se o Brasil não tivesse problemas mais sérios a resolver, o presidente Michel Temer passou os últimos dias empenhado em uma tarefa insólita: manter na sua equipe o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

O cargo do político baiano está em risco desde que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero denunciou, em entrevista à Folha de S. Paulo, que Geddel fez pressão para mudar o parecer do Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan), contrário à construção de um prédio de 30 andares na Ladeira da Barra, área nobre de Salvador.

Logo após denúncia%2C Geddel ligou para líderes da base%2C pedindo apoio públicoAgência Brasil

O ministro da Secretaria de Governo disse ter comprado um dos imóveis do empreendimento. Depois da denúncia de Calero, esperava-se que Temer se livrasse de Geddel imediatamente. Aconteceu justamente o contrário.

Na segunda-feira, o porta-voz da presidência anunciou que o ministro continuaria à frente da Secretaria de Governo e da articulação política. Além disso, Temer ordenou que Geddel conseguisse apoio do Congresso para continuar. Logo em seguida, o baiano passou a ligar aos líderes de todos os partidos da base governista para exigir apoio público. E conseguiu.

Em reunião na manhã de terça-feira, os líderes deram seu apoio. Rodrigo Maia (PMDB), presidente da Câmara, se manifestou: “Nós precisamos que o ministro Geddel continue no governo”. Pouco depois, o presidente do Senado, Renan Calheiros, declarava o caso “superado”.

O senador estava enganado. A história não para de causar supresas. A Folha de S. Paulo revelou que Jayme Vieira Lima Filho e Afrísio Vieira Lima Neto, respectivamente o primo e o sobrinho do ministro Geddel , atuam como representantes do empreendimento.

Como o Iphan havia embargado a obra por considerar que o prédio afetaria monumentos tombados da região, como o Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio da Barra, Jayme e e Afrísio receberam procuração para “representar o outorgante (empreendimento La Vue), conjunta ou separadamente” junto ao instituto.

Depois da divulgação de que os parentes de Geddel atuavam no caso, José Saraiva, conselheiro da Comissão de Ética Pública da Presidência da República pediu para ser afastado do procedimento que vai apurar a conduta do ministro.

Com a decisão de manter Geddel no cargo, Temer desagradou até os autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, que possibilitaram ele que chegasse à presidência. "Os sinais indicam que o presidente pretende trilhar o caminho de sua antecessora, passando a mão na cabeça de quem precisa ser afastado", lamentou a advogada Janaína Paschoal, uma das signatárias do pedido de impedimento.

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