Importação da China ainda afeta setor têxtil, apesar do ritmo menor

Mesmo com a Copa do Mundo, tecelagens paulistas não produziram nenhum metro em verde e amarelo

Por O Dia

São Paulo - Promessa de negócio para vários segmentos, a Copa do Mundo frustrou as expectativas do setor têxtil paulista. “Vamos torcer pelo Brasil com bandeiras vindas da China”, ironiza Dilézio Ciamarro, presidente do sindicato patronal das indústrias de tecelagem de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d´Oeste e Sumaré (todas em São Paulo), referindo-se ao crescimento constante das importações de tecidos. “Não tingimos nenhum metro de tecido em verde e amarelo”, diz ele, mostrando a frustração do setor que emprega 510 mil pessoas no estado e é responsável por 30% da produção nacional.

Ciamarro aponta a importação como principal fator de desequilíbrio do setor e pela queda da produção de tecidos em Americana, conhecida como “Princesa Tecelã”, título que conquistou com a grande exportação de tecido para o mundo todo entre os anos 60 e 90. “Não somos contra as importações, mas sim contra esse aumento abusivo, a cada semestre, de tecidos e confeccionados prontos que chegam a nosso país subsidiados pelos governos dos países originários e com características de dumping”, afirma Ciamarro.

Setor de tecelagem emprega 510 mil pessoas em São Paulo e é responsável por 30% da produção nacionalMurillo Constantino


Ainda assim, diz ele, as indústrias não deixaram de investir. “Hoje as tecelagens são modernas, oferecem ambientes que atendem a todas as normas de vigilância e de trabalho, mas com a queda da demanda, produzimos menos do que poderíamos. Nosso parque fabril comporta 180 milhões de metros lineares de tecidos ao mês, mas hoje estamos em 90 milhões de metros lineares/mês.

O desabafo é confirmado pelos dados do IBGE que apontam queda de 2,9% na indústria têxtil paulista no primeiro trimestre deste ano, ante igual período de 2013. Já o setor de vestuário vive um momento um pouco melhor: teve crescimento de 4,5% em igual base de comparação. Em igual período, as importações aumentaram 15% em valor e 7,32% em quantidade, para 64 mil toneladas, ante 58,8 mil toneladas.

“A boa notícia é que desde que o real se desvalorizou, o crescimento das importações tem sido menor do que em anos anteriores e isso permite uma leve expansão”, explica o presidente do Sinditêxtil-SP, Alfredo Bonduki. Tanto assim que o setor espera um crescimento de 3% este ano.

Para ele, além da velocidade menor de importação, ajuda a demanda aquecida do consumidor, embora também em ritmo menor. “O varejo têxtil não depende de crédito para vender, o que é uma boa notícia considerando-se o endividamento das famílias. Por isso mantermos a expectativa de crescimento para este ano”, diz.

Essa expectativa tem colaborado também para a geração de emprego, que embora em ritmo abaixo do ano passado, tem se mantido positiva. Dados do Caged apontam que, em março, o saldo de empregos no setor têxtil e de vestuário paulista foi de 1.258, contra 1.753, se comparado com igual período do ano passado. De janeiro a março, o saldo foi de 3.597, contra 5.077, na emsma comparação.

“Mais do que a geração de novas vagas, o que tem ocorrido é uma formalização da mão de obra”, explica Bonduki. Ele diz que, com o governo desonerando a folha de pagamento, e tributando as empresas no faturamento, a tendência passou a ser de aumentar o registro em carteira, em detrimento da precarização.

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