Reforma ameaça deputado formulador

Modelo defendido pelo vice-presidente Michel Temer para a reforma política tem preocupado líderes de partidos

Por O Dia

?Por Leonardo Fuhrmann (interino) - lfuhrmann@brasileconomico.com.br

O modelo de distritão, defendido pelo vice-presidente Michel Temer e outros peemedebistas para a reforma política, tem causado preocupação entre líderes de outros partidos e analistas do Congresso. Para além dos interesses específicos, muitos deles pautados pelo instinto de sobrevivência, temem pela extinção definitiva dos deputados com perfil formulador, mais afeitos a discutir ideias sobre o país do que a atender demandas paroquiais e grupos de interesse — como ruralistas e evangélicos, por exemplo.

Florestan Fernandes%2C Maria Conceição Tavares%2C Roberto Campos e Delfim Netto seriam exemplos de deputados com perfil formuladorDivulgação e Piervi Fonseca

No modelo proposto pelo articulador político do governo, serão eleitos os mais votados em cada um dos estados, sem ponderações sobre a representatividade de cada partido. A crítica é muito parecida com aquela que é feita ao voto distrital, no qual é eleito um representante por cada uma das regiões em que o estado for dividido. Com o agravante de que enfraqueceria ainda mais os partidos. Os críticos citam exemplos de parlamentares que dificilmente teriam chance, caso qualquer um dos modelos fosse instalado. O sociólogo Florestan Fernandes, um dos mais importantes intelectuais brasileiros, foi eleito pelo PT paulista com pouco mais de 50 mil votos em 1986 e reeleito com quase 28 mil votos quatro anos depois. No Rio, em 1994, a economista Maria Conceição Tavares, uma das líderes da escola desenvolvimentista, recebeu em torno de 40 mil votos para se eleger deputada pelo PT. De linha liberal e privatizante, o economista Roberto Campos (PPR) teve menos de 50 mil votos na disputa. De mesma linha, o ex-ministro da ditadura Delfim Netto (PMDB) foi eleito cinco vezes. Até que, em 2006, teve apenas 38 mil votos.

Aula mútua

O ex-senador Eduardo Suplicy visitou o campus Lagoa do Sino, da UFSCar, em Buri, no interior paulista. O local era uma fazenda do escritor Raduan Nassar, autor de “Lavoura Arcaica” e “Um Copo de Cólera”, que decidiu doá-la a uma entidade pública de ensino. Ele tentou sem sucesso, desde 2007, passar a propriedade produtiva às universidades paulistas. Em 2011, o governo federal entrou na história e concordou em receber o presente. Junto dos alunos, o escritor ouviu uma palestra de Suplicy.

Tema para depois 

Apesar de os problemas de abastecimento de água continuarem na Grande São Paulo, a Câmara Municipal da capital do Estado resolveu adiar o convite para que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) falasse sobre o assunto. A situação ainda é grave, mas a chuva serviu para arrefecer os ânimos.

Classe dividida

O Ministério Público de São Paulo está dividido a respeito da PEC de redução da maioridade penal. Líderes de entidades como o Ministério Público Democrático se colocaram contra a medida. Alguns promotores criminais e mesmo da infância são entusiastas da proposta, defendida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). A emenda, no entanto, não emociona o procurador-geral, Márcio Elias Rosa, que pretende organizar um seminário sobre o assunto na próxima semana.

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