Maria de Medeiros ganha homenagem na 23ª edição do Cine Ceará

'Adoro o Brasil, sou apaixonada por esse país', diz a atriz, cantora e cineasta portuguesa

Por O Dia

Fortaleza - Maria de Medeiros, atriz, cantora e cineasta portuguesa conhecida internacionalmente por suas atuações em ‘Pulp Fiction’, de Quentin Tarantino, e ‘Henry & June’, de Philip Kaufman, nunca se sentiu tão brasileira. Há oito meses no país, Maria tem conseguido penetrar na cultura nacional por diferentes meios, como música, teatro e cinema. Tamanha contribuição cultural gerou uma homenagem a ela na 23ª edição do Cine Ceará, que terminou no sábado, em Fortaleza, Ceará. 

Maria de Medeiros ganha homenagem na 23ª edição do Cine CearáDivulgação


“Adoro o Brasil, sou apaixonada por esse país. Estou aqui desde janeiro com a peça ‘Aos Nossos Filhos’ em cartaz, também tenho feito shows e, há duas semanas, estreou ‘Repare Bem’, um longa-documentário que dirigi. Ele fala sobre o tempo da ditadura militar. Fico emocionada ao saber que estão dando atenção ao meu trabalho”, disse Maria, de 48 anos.

A vinda temporária da artista para o Brasil foi, de certa forma, estratégica, já que a Europa vive um período cultural ruim. “Eu adoro fazer cinema no Brasil. Não é que aqui seja mais fácil, porque fazer cinema nunca é fácil. Mas nesse momento a Europa está vivendo um momento difícil, sem muito espaço para a indústria cinematográfica", avalia ela, que mora em Paris há 20 anos.

Pelo visto, Maria de Medeiros está mesmo ‘abrasileirada’. Diante de tantas produções nacionais, ela gosta mesmo é de assistir ao Porta dos Fundos, fenômeno na internet. “Acho sensacional! Um trabalho de internet superbem-feito, roteiros bons, muito bem escritos. Os atores são fenomenais, abordam temáticas da realidade e existe uma liberdade na forma de entretenimento. Isso é importante que exista na arte”, comentou a cineasta. Apesar do sucesso do canal do YouTube, Maria acredita que o Porta dos Fundos não deve se expandir para as telonas. “Gosto do formato curto. Eles inventaram uma nova forma de se relacionar com o público, que está muito mais na internet que nas salas de cinema”.

Na música, os queridinhos da portuguesa são Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Lenine. Mas é Ivan Lins que é prestigiado com a canção ‘Aos Nossos Filhos’, incluída no repertório da banda de Maria. “Gosto de muitos artistas daqui, mas esses são os que mais me inspiram. Até já compus um samba”, diverte-se.

Maria já não é mais a jovem que impressionou na obra de Tarantino, mas sua beleza continua chamando a atenção. “Não foram operações plásticas, isso posso te assegurar. Acho que a dimensão lúdica que dou ao meu trabalho que me faz ser assim”. A fama, adquirida nos anos 90, também nunca subiu à cabeça. “Sem dúvidas, ‘Pulp Fiction’ e ‘Henry & June’ deram maior visibilidade ao meu trabalho e me permitiu desenvolver escolhas.

Os filmes americanos mudam a carreira da pessoa por conta das distribuições e isso cria um boom. Mas fiz muita coisa interessante antes e depois desses filmes”, diz ela, que, por fim, faz questão de exaltar nossas produções. “Acho que o cinema brasileiro tem muito mais conteúdo do que o cinema americano. É o que importa”.

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