Samantha adormecida

Vilã paranormal apaga, deprimida, e nem com um balde de água fria ela desperta. É preciso uma ajudinha extra do além para tirá-la do sono profundo

Por O Dia

Rio - Samantha (Claudia Raia) terá seu dia de Bela Adormecida, no capítulo de amanhã da novela ‘Alto Astral’. Só que, diferentemente da princesa, a vilã não será despertada por um príncipe, ou melhor, por seu amado Rei Mohammed (Igor Rickli). Para tentar acordá-la, Pepito (Conrado Caputo) joga um balde de água fria em cima da paranormal. Caíque (Sergio Guizé) acha que é manha, mas Castilho (Marcelo Médici) avisa que ela está deprimida, e consegue despertá-la. Samantha chama por seu rei, mas, quando abre os olhos, dá de cara com Caíque.

“Dá um trabalhão esse negócio de espírito, de interpretar olhando para o nada. Mas a gente já se acostumou, no começo era chatinho. A graça da Samantha é que ela é uma vilã perdedora. Como é esfuziante, desperta isso nas pessoas. As crianças e os adolescentes vão à loucura. Ela tem um caráter péssimo, fala coisas inaceitáveis, mas o público gosta. É legal quando o humor subverte a vilania”, comentou Claudia no intervalo das gravações, acompanhadas pelo DIA, na última terça-feira.

Em cena%2C César%2C Marieta e Pepito tentam acordar a vidente trambiqueira João Miguel Júnior / TV Globo

E é justamente a extravagância da trambiqueira seu ponto mais forte. Segura do tom que deu à personagem, a atriz não se deixou atingir por avaliações negativas. “Na verdade, só teve uma crítica, em meio a tantos elogios que a gente recebe. Não quero saber disso. Quero saber o que gera no público. O autor escreve, o diretor dirige e eu faço, em comum acordo. Se a novela funciona, se a Samantha é o sucesso que é, alguma coisa está errada com quem falou mal”, diz.

O clima cômico paira dentro e fora de cena. Tanto que, com Conrado Caputo, o Pepito, a química foi imediata. “A gente se gostou de cara. Não fiquei com medo, mas deu uma desafiada, porque estou do lado de quem sabe fazer comédia como ninguém. Tem um mito em volta, né?”, destaca ele. Se para Claudia o assédio faz parte do jogo, para Conrado é novidade.

“Estou tentando me acostumar com essa liberdade que as pessoas têm com o personagem. Como não me conheciam, não sabem meu nome, me chamam de Pablito, Papito... Chegam com muito carinho. Mas isso não me deslumbra. Tenho 36 anos, já ralei muito e comi o pão que o diabo amassou. Estou trabalhando e ciente de que, na semana seguinte, já tem outro no lugar. Tanta gente veio e passou. Não vou pirar”, frisa.

Para Marcelo Médici, expert no humor, a dificuldade é fazer parte desse núcleo no papel de um espírito sério. “Acho ótimo não ter que entrar em cena e ser engraçado, mas, às vezes, me dá um desespero de querer fazer piada. A comédia é um vício. No teatro, quando vem aquela onda de gargalhada, é uma bênção. O ator que pode ter contato com isso, faz toda a ralação valer a pena”, diz Médici, que supre essa necessidade nos bastidores, e que formará com Morgana, interpretada por Simone Gutierrez, o par de espíritos da trama. “Toda vilã tem uma fraqueza, e o Castilho é a dela. Eles se conhecem de outras encarnações”, indica a atriz.

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