Zezé di Camargo e Luciano trocam figurinhas com a galera nova do sertanejo

Dupla lança CD ‘Dois Tempos’ que tem “70% a nossa cara e 30% a cara dessa turma”. Disco tem ainda as participações de Jorge & Mateus e Felipe Aragão

Por O Dia

Rio - Vai tudo bem com a garganta de Zezé di Camargo. Comemorando 25 anos de carreira ao lado do irmão Luciano — e soltando o CD de inéditas da dupla ‘Dois Tempos’, além do box com 26 CDs ‘25 Anos de Música’, que cobre toda a sua carreira e já tem 20 mil cópias vendidas — Zezé faz questão de soltar a voz e cantar em vários momentos durante o papo com O DIA. Canta ‘É o Amor’, ‘Menino Cantador’, ‘Você Vai Ver’. E comenta os boatos de que sua voz estaria desaparecendo, após a operação que fez nas cordas vocais em 2008.

Zezé Di Camargo e Luciano lançam no discoDivulgação

“Hoje existe na internet uma propagação muito rápida do que é negativo. Lembro que falei para o Ronaldo Fenômeno: ‘Putz, fui falar numa entrevista do problema das minhas cordas vocais e tô pagando caro por isso...’ O Ronaldo me disse que tomava porrada no campo antes de ser operado do joelho e passava o resto do jogo andando, e ninguém falava nada. E falou: ‘Se eu tomar uma porrada hoje e sair mancando, todo mundo fala. E eu dei uma Copa do Mundo para o Brasil em 2002 com um joelho só’.

Tem muito mais gente predisposta a falar mal do que bem”, conta.
Zezé revela que num desses casos, envolvendo um colega, partiu para o tapa — com luva de pelica, diga-se. “Uma vez, cantei num show três músicas, direto. Fui cantar uma música nova, que não tinha tirado direito o tom e ainda não tinha emitido o agudo ainda, deu uma rateada. Um cara de uma dupla lá de Ribeirão Preto (SP) postou um vídeo dessa música em que minha voz rateou. Fez maldade comigo. Só que eu fui lá fazer um show na cidade dele. Entrei em contato e convidei os dois para subirem no palco comigo. Eles tinham show no dia, mas foram. No dia, um deles subiu no palco, mas soube depois que não era o que tinha falado de mim. Esse aí, que fazia a primeira voz, já estava na plateia com uma tipoia no braço”, zoa o cantor, que para celebrar o encontro musical com o colega, pediu logo a agudíssima ‘É O Amor’. “E foi no tom original, que é alto pra caramba. Você canta com a voz lá em cima. Dei o microfone pro cara: ‘Toma!’. O sujeito da primeira voz, lá da frente, ficou falando: ‘Não, pelo amor de Deus!’ e eu só: ‘Problema dele, ele que se vire!’ Mas acho que ele saiu feliz do palco”.

O contato com a tal dupla novata de Ribeirão foi tenso. Mas Zezé e Luciano não apenas têm relações ótimas com as turmas recém-chegadas do sertanejo como fizeram ‘Dois Tempos’ pensando na renovação do estilo. “Já era um pedido dos fãs e da gravadora, de fazer um CD mais com essa cara, da Naiara Azevedo, da Marilia Mendonça, do Pablo”, diz Luciano, que ao lado do mano mais velho cai no arrocha em músicas como ‘Cotovelo Vai Doer’ e convida Jorge & Mateus para cantar em ‘Intenso’ e Felipe Aragão para dividir vocais em ‘Pra Que Deixar Pra Amanhã’. “Nossa renovação é constante. E foi mais significante quando saiu o filme ‘Dois Filhos de Francisco’, que foi um absurdo. Parecia que a gente estava estourando naquele ano. Quisemos fazer um disco 70% com nossa cara e 30% com a cara da nova música sertaneja. O Zezé queria estar junto dessa turma nova. É engraçado que esse sertanejo considerado moderno é o antigo que a gente fazia antes. Era o nosso lado de bolero, que a gente nem trabalhava. E pode ver que a Marilia Mendonça tem isso”, completa Luciano.

O ‘Dois Tempos’, disco novo, tem duas partes. Em abril sai o ‘Dois Tempos — II’, que inverte a equação: 30% com a cara da dupla e 70% endereçado aos mais jovens. “Fizemos como no filme ‘Matrix’ (dos irmãos Lana e Andy Wachowski): gravamos tudo junto, mas saiu um disco antes e sai outro depois”, conta Zezé, que se limitou a incluir apenas uma música sua, ‘Intenso’ no primeiro ‘Dois Tempos’. Luciano lembra que no início Zezé havia programado para o disco cinco músicas suas. “Eu fico p... quando ele faz isso, amo demais as músicas do Zezé. Lembro que viajei e falei: ‘Quando voltar, quero duas músicas suas no CD’. Mas ele só deixou uma no disco. Podem vir duas no próximo CD. Repertório para disco inédito e autoral, a gente tem: no ano passado, eu presenciei, o Zezé compôs mais de vinte músicas dentro do avião”.

Já em ‘The Prayer’, canção operística do repertório de Andrea Bocelli, Zezé solta a voz em inglês e italiano, ao lado da filha Wanessa Camargo. “E meu irmão está cantando maravilhosamente bem. Ele foi muito sacudo, muito macho, de ter assumido esse problema nas cordas vocais. Queria que as pessoas olhassem isso”, diz Luciano. Já sobre as supostas brigas com a filha, Zezé preferiu não falar. “Prefiro não falar de vida pessoal, que você fala uma frase e distorcem, levam para o lado errado”, conta. 

Zezé e Luciano pelas mulheres 

Para depois de ‘Dois Tempos' Zezé di Camargo e Luciano planejam um disco com mulheres cantando sua obra. “A ideia foi do Luciano. Tem que esperar um pouco porque o Luan Santana acabou de lançar um disco com mulheres”, brinca Zezé, que adoraria ouvir Maria Bethânia cantando ‘Menino Cantador’. “Mostrei essa música para o Gilberto Gil em Brasília outro dia e ele falou para mandar correndo, que se ela ouvir, grava. Fiz a música para o Gil, inclusive, com a levada de música da Bahia”, conta. Marília Mendonça e Gal Costa também estão na lista dos dois.

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