'Eu sou do povo, rapaz', diz Zico, ao deixar o sambódromo sem seguranças

No trajeto, o homenageado da Imperatriz deu autógrafos e posou para fotos

Por O Dia

Rio - Quando se preparava para entrar na Marquês de Sapucaí, na madrugada de terça-feira, Zico usava um traje nas cores vermelho, preto e branco, uma espécie de segunda pele do maior ídolo da história do Flamengo. Em vez de calçar as chuteiras que emolduravam lances geniais com a bola nos pés, usou um par de sapatos brancos para sambar. Porque o palco da homenagem, desta vez, não era o gramado do Maracanã.

Zico esperava pela entrada na avenida, cercado por 25 seguranças. Foram cerca de dez minutos de uma espera com longos suspiros e um silêncio, interrompido por perguntas de jornalistas e pela tentativa de aproximação de fãs. Zico retribuía com sorrisos. Os seguranças, não. "Dá licença! Isso não é hora, filho!", advertiu um deles, ao evitar a aproximação de um fã.

Zico mostrou animação no desfile da ImperatrizCarlos Moraes / Agência O Dia

Eles formaram uma barreira humana para colocá-lo no carvalhão. Dali, o ex-craque do Flamengo foi erguido a cerca de dez metros do solo para ficar em cima do último carro alegórico da Imperatriz Leopoldinense.

Enquanto o carvalhão subia, um dos seguranças puxou um celular do bolso e o fotografou. "O cara é 100%, né? Sou flamenguista e o Zico é o meu maior ídolo", comentou.

Quando entrou na avenida, era como se Zico estivesse pisando no gramado para jogar. Enquanto o samba-enredo ecoava pela Sapucaí, homens sorriam como se voltassem a ser crianças, comemorando um gol ou um título do Flamengo de Zico.

Em meio ao desfile, mais de 500 bolas com a assinatura do Galinho de Quintino eram jogadas para o público. Depois, eram vistas em mãos anônimas, guardadas como se fossem relíquias. "O Edu (Edu Coimbra, irmão do ex-jogador) me deu essa bola", sorriu o empresário Marcelo Nasseh, amigo da família.

No fim do desfile, Zico foi cumprimentado por artistas e ex-jogadores, que ensaiaram um coro de "Mengo" com o público. "Foi maravilhoso. Obrigado ao público que me saudou", agradeceu.

Quando amanhecia, Zico deixou o sambódromo em meio à multidão, dispensando o auxílio de seguranças. "Eu sou do povo, rapaz! Não tenho nenhum problema com o povo, não", disse, enquanto estava a caminho do estacionamento onde deixou seu carro.

No trajeto, deu autógrafos e posou para fotos. "Eu sou vascaína, mas você é grande demais!", disse uma mulher.

E, ao comentar, com poucas palavras, o que sentiu quando passou pela avenida, Zico lembrou por que é Zico: "Foi muito legal. Procurei me divertir para não me emocionar."

Bicheiro aposta suas fichas na Imperatriz

O bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, que responde a processo acusado de integrar a cúpula do jogo do bicho no Rio, foi visto com uma mulata na Sapucaí, na madrugada de terça-feira.

E, ao atender a reportagem para falar sobre o carnaval, se arriscou até a dar dicas sobre quem seria o campeão dos desfiles. "Você gosta de apostar? Quer saber qual vai ser a barbada? Vai dar Imperatriz. Vai por mim", disse, antes mesmo da entrada da escola indicada na avenida.

Ele também elogiou o desempenho da São Clemente no primeiro dia de desfiles, entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira. "O carnaval está disciplinado. Está bom. Até agora, os desfiles foram perfeitos", disse.

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