Mocidade Independente faz desfile politizado e propõe um Brasil diferente

Usando a literatura como guia, Miguel de Cervantes e Padre Miguel construíram uma nova história na avenida

Por O Dia

Rio - Quinta escola a entrar na avenida no primeiro dia de desfiles do grupo especial do Rio de Janeiro, a Mocidade Independente de Padre Miguel se inspirou nos 400 anos de Miguel de Cervantes para apresentar uma fictícia viagem de Dom Quixote de La Mancha ao Brasil.

Mocidade apostou em carros alegóricos mais altos e largos. Vários tiveram problemas na dispersão%2C prejudicando a evolução. Agremiação levou para à Avenida Dom QuixoteFoto%3A Cacau Fernandes / Parceiros

"Ergue-te do teu sono, Cervantes, do sonho à vida como antes, vem comigo que também sou Miguel, Padre Miguel", diz a sinopse do enredo da escola. Desde 2003 fora do desfile das campeãs, a verde e branco de Padre Miguel apostou no delicado momento que o país vive para materializar uma mensagem otimista.

FOTOS: Confira as melhores imagens do desfila da Mocidade

Pelos olhos de Cervantes, partes da história brasileira como a Ditadura Militar até os problemas na saúde e educação atuais foram reimaginados e carnavalizados.

O carro abre alas, com 18 metros de altura e anunciado como a alegoria mais alta do carnaval de 2016, fez referência ao lamaçal da política brasileira com torres de petróleo na parte traseira.

A rainha da bateria da escola foi mais uma vez a cantora Claudia LeitteFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

O segundo carro mostrou o que Dom Quixote de fato encontrou no Brasil: ao invés de um país tropical, encontra a corrupção na política, entre outros problemas, representados por grandes ratos também em movimento.

Já a terceira alegoria explorou a literatura brasileira e outras visões do país. A escola apresentou todo um setor em homenagem às obras de Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e Ariano Suassuna.

A quarta alegoria representa um navio negreiro, simbolizando uma mancha muito grande na história do Brasil

O quinto carro, "Sacra insurreição", veio representando a Guerra de Canudos e o Nordeste, falando sobre a fé do sertanejo e a relação entre o Estado e a Igreja. Em época de crise, a alegoria - com exceção das estruturas de metal e madeira - foi todo feito com materiais reciclados ou naturais como bambu e galhos secos.

Escola se inspirou nos 400 anos de Miguel de Cervantes para apresentar uma fictícia viagem de Dom Quixote de La Mancha ao BrasilFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

A grande aposta da escola foi o sexto carro alegórico, que veio representando a época da ditadura militar, com efeitos de ilusionismo e muito movimento.

O último carro, nomeado "Lava Jato da Felicidade", foi uma forma de demonstrar esperança com o dividendos da operação Lava Jato que pauta o noticiário político do país e projetar uma imagem potencialmente positiva do Brasil para Dom Quixote.

A alegoria, no entanto, teve problemas e peças tiveram que ser retiradas com o carro em movimento o que quase fez com que a escola estourasse o tempo regulamentar.

Em 2016, Claudia Leitte voltou como rainha da Mocidade Independente, mas foi Anitta quem brilhou como destaque da escola em sua estreia na Sapucaí.