Gilberto Braga: A economia chegou no fundo do poço?

A queda do IPCA tem forte efeito simbólico e pode ser o primeiro sinal de que vamos melhorar

Por O Dia

Rio - O governo federal tenta dar demonstrações de que não está parado, não obstante a gravidade da crise política, com estímulos à economia para que o PIB reaja e consiga superar o ciclo vicioso que domina o ambiente de negócios no país. Não passou desapercebido dos observadores que as investigações sobre o ex-presidente Lula na Operação Lava Jato tenha feito o dólar cair mais 10% e a bolsa de valores subir acentuadamente em poucos dias. Esses fatos demonstram que o mercado não crê mais na capacidade do Governo Dilma de fazer a economia reagir nos curto e médio prazos.

O maior esforço do governo no atual mandato foi na tentativa de conter a inflação e alcançar o equilíbrio fiscal. Como elas dependem do Congresso Nacional, o governo colheu mais derrotas do que vitórias. Medidas como a volta da CPMF tem baixa chance de ser aprovada, o que desanima os investidores.A boa notícia é que a equipe econômica começou a se preocupar com a cozinha, se dedicando às questões periféricas que estão ao seu alcance e que não dependem do mundo político.

Pode-se citar a volta do crédito para a compra da casa própria pela Caixa, conforme contou a edição desta quarta-feira de O DIA. Os imóveis usados voltarão a ser financiados e o valor aumentou de 50% para 70% do bem. As novas regras devem gerar a retomada na construção civil e mexer com o estoque de imóveis novos encalhados no Rio. Quem já tem um imóvel próprio ou financiamento em curso, poderá adquirir uma segunda unidade financiada.

A queda do IPCA, que ficou em 0,90% e fevereiro, ante 1,27% de janeiro, tem forte efeito simbólico, porque pode ser o primeiro sinal concreto de que chegamos no fim do poço na economia e de que, com pequenas medidas econômicas, vamos começar a melhorar.

Gilberto Braga é Professor de Finanças do Ibmec  e da Fundação Dom Cabral.

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