A patética tentativa de suborno

Nova polêmica reflete o drama do futebol brasileiro

Por O Dia

Rio - Suborno pode até não ser a palavra exata para definir o que a CBF tenta fazer com a Portuguesa. Mas reflete bem o drama. Como é possível rotular essa relação espúria entre dirigentes e a entidade ? Ela oferece um adiantamento de R$ 4 milhões se a Lusa esquecer de vez qualquer tentativa de reaver os pontos. Isso é normal? O documento, exibido pelos companheiros da ESPN Brasil, não deixa dúvidas sobre as intenções da CBF que, para evitar a repercussão no exterior no ano da Copa - e não ficar incompatibilizada com a mídia e alguns dirigentes de São Paulo - partiu para o jogo bruto de liberar dinheiro como uma espécie de cala-boca.

A essa altura, não dá para acreditar em uma saída justa, nem sequer honrosa. Todos são vítimas desse regulamento ultrapassado, que só favorece injustiças e aumenta as suspeitas. Como bem registrou Zico em recente entrevista, em um país organizado, a CBF mandaria documentação oficial para os clubes informando sobre jogadores suspensos e evitaria a possibilidade de mal-entendidos acidentais ou forçados. E também com perda de pontos só no futuro. É uma questão de bom senso, decoro e justiça.

Nero moderno

Na Era antiga, Nero distribuía torpezas e atingiu o máximo da vilania ao incendiar Roma. O futebol brasileiro corre risco de virar uma grande fogueira se Marco Polo del Nero, que já manda em São Paulo e em Marin, virar presidente da CBF. Pasmem, ele é o favorito nas eleições deste ano e dificilmente o futebol brasileiro vai escapar de sua sina de ser comandado por gente de baixo nível, sem limites éticos e em busca de enriquecimento pessoal. O caso da Lusa tem a marca de Nero.

Hora de ousar

Tudo indica que, com o atual elenco, mesmo já contando com os anunciados reforços, o Botafogo não vai longe nas principais competições. Com a saída de Seedorf e de Rafael Marques, a diretoria poderia ousar mais e trazer um nome de impacto, de preferência no ataque. No momento, a única tênue esperança é Forlán. O Botafogo precisa continuar focando na sua grandeza e subir mais um degrau na escada de sua evolução porque, se marcar passo, pode cair feio.

O joguete

O caso Luiz Antonio no Flamengo é típico de um desencontro de interesses entre todos os envolvidos, do poder exagerado dos empresários e da ingenuidade de uma cria da casa, que merecia um tratamento carinhoso e prioritário. Até porque veio de excelente temporada no Brasileiro. Houve intolerância de todos nas negociações, a saída não aconteceu e a volta ao time é a melhor solução. A humildade seria boa para todos agora, mas o que esses empresários atrapalham não é brincadeira.

Dupla de peso

A torcida do Fluminense pareceu não se importar muito com a derrota para o Madureira por acreditar na força do elenco. Mas é preciso reforçar a defesa, que continua carente de qualidade e de organização. Renato fez, nesse sentido, bom trabalho no Grêmio, apesar do acúmulo de volantes. Além disso, há otimismo na dupla Walter e Fred. São nomes de impacto, mas um precisa entrar em forma, de preferência emagrecendo, e o outro, livrar-se das seguidas lesões. Será possível?

O artifício das chuteiras geladas

Esse artifício de mergulhar as chuteiras no gelo para evitar queimaduras nas altas temperaturas do gramado sintético no Sul pode ser considerado folclórico, engraçado, o famoso jeitinho brasileiro. Mas não passa de novo episódio grotesco de falta de planejamento técnico, de campo e horário de jogo inadequados. Novo exemplo da irresponsabilidade da cartolagem.

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