Márcio Guedes: O Futebol permite a lógica do absurdo

Em partida com reservas, Botafogo desbanca o favorito Fluminense

Por O Dia

Rio - A vitória de 3 a 0 dos reservas do Botafogo domingo era um resultado absurdo que seria reduzido pelos matemáticos a uma possibilidade desprezível. A não ser que a surpresa ocorresse com um Fluminense dominando, perdendo chances e o Botafogo se favorecendo por um golzinho ao acaso.

Mas o clássico surpreendeu principalmente pela facilidade alvinegra e por ter proporcionado um panorama inédito: reservas que atuavam muito mal se superando, o treinador que andava perdido com um bom esquema tático e fazendo alterações perfeitas e um Fluminense incompreensivelmente apático.

Botafogo, com reservas, surpreendeu e venceu o FluminenseMárcio Mercante / Agência O Dia

Até porque, se a classificação está garantida, a derrota complicou as chances tricolores de conquistar a Taça GB. Ou será que esse caneco já não vale mais nada? A dúvida é: foi um dia de exceção ou o jogo mostrou que, daqui por diante, o Botafogo vai se reencontrar, até mesmo com um time misto? E o Fluminense saberá recolher os cacos e voltar a ser competitivo? Pode ser também que, nesse futebol nivelado de hoje, a rotina seja mesmo a gangorra e o resultado, uma loteria. A lógica do absurdo.

VIA ESTREITA

Com cinco rodadas para o fim, há poucas dúvidas de que Fla e Flu irão se classificar e as chances da Cabofriense, depois da decisiva vitória sobre o Vasco, são quase totais, até porque é um time muito organizado. A última vaga deve ser disputada por Vasco e Botafogo, embora Nova Iguaçu e Friburguense estejam no páreo. Os dois grandes têm ainda um clássico e quatro pequenos mas o Vasco é favorito porque não sofre o desgaste da Libertadores e já leva três pontos de vantagem.

SURPRESA ZERO

Quem esperava uma novidade de Felipão para fechar a convocação acabou frustrado. Ele não se preocupou em trazer gente nova para testar, como seriam os casos de Tardelli ou Alan Kardec e preferiu não mexer naquilo que já planeja para a Copa.Fred, mesmo fora de forma técnica, voltou a jogar, Jô é o seu substituto e Jefferson, reserva de Júlio César. Daqui até maio, essas águas vão continuar calmas e é difícil surgir um peixe novo ou, ainda mais, um peixe grande.

O PREDADOR

Cavalieri foi sincero ao dizer que faz a sua marca no gramado com uma ‘raspagem’ acentuada, coisa que ocorre no futebol desde os tempos em que se amarrava cachorro com linguiça.Mas em tempos politicamente corretos de arena a coisa pega e é preciso arrumar uma alternativa diferente para orientar os goleiros. O cartão amarelo domingo parece exagero, embora esteja previsto em lei. Todos têm as suas razões nessa história e falta encontrar uma solução justa.

MODELO PERFEITO

Quem acompanhou Rafael Nadal no Rio não ficou impressionado apenas com a sua técnica refinada. Ele mostrou qualidades excepcionais: treinou muito, mesmo poucas horas antes dos jogos e, debaixo do sol violento do fim de semana carioca, jamais se descuidou de sua forma. Levou a sério o torneio e ainda deu um show de elegância e educação tratando jornalistas e fãs com extrema gentileza. Se todos fossem iguais a ele no mundo esportivo, que maravilha seria!

UMA FIGURA PARA JAMAIS SER ESQUECIDA

O fim de semana trouxe a péssima notícia da morte de Mário Travaglini, ser humano de alto nível , reverenciado não apenas depois da morte, mas em vida, por todos os que conviveram com ele. Vitorioso como supervisor na Seleção e em muitos clubes, principalmente Vasco, Fluminense e Corinthians, ele via o futebol com simplicidade, beleza e sem exageros táticos.

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