Prestes a voltar a jogar após a prata no Rio, Ágatha planeja trajetória até 2020

Paranaense de 33 anos curte o momento pós-Olimpíada, já com saudade de voltar a competir nas areias

Por O Dia

Rio - A vida pós-Olimpíada está sendo diferente do que Ágatha havia imaginado inicialmente. A decisão da ex-parceira Bárbara Seixas de dar fim à dupla que conquistou a prata nos Jogos do Rio a pegou de surpresa. Mas Ágatha resolveu traçar novos planos. Aos 33 anos, com uma medalha olímpica no currículo, a paranaense quer aproveitar o auge da carreira já encarando outros desafios, incluindo o ciclo até Tóquio-2020.

Ághata não desgruda da medalha olímpicaMaíra Coelho / Agência O Dia

Seu retorno às competições acontecerá nesta semana ao lado de Carol Solberg, na etapa de Brasília do Circuito Brasileiro de vôlei de praia. Até o fim do ano, serão mais três torneios com Carol. Em janeiro, Ágatha passa a formar a parceria com a jovem Duda, de 18 anos, iniciando mais um ciclo olímpico. “O destino me colocou neste momento de estar correndo atrás. Eu até brinco que essa parceria com a Carol é uma passagem para o período que vai se iniciar em janeiro. Não é descanso. As duas estão se dando a chance de tentar uma coisa nova. Ela vindo de uma gravidez, eu vindo de uma parceria de muito tempo com a Bárbara. Vai ser legal este período para em janeiro começar a pensar no ciclo até 2020”, conta Ágatha.

Duda, sua parceira a partir de 2017, é tricampeã mundial sub-19. A dupla terá duas técnicas: Cida, mãe de Duda, e Jackie Silva, campeã olímpica em Atlanta-1996. “Estou com gás. Ainda mais que está vindo uma menina supernova aí pela frente (risos). A Duda está com 18 anos. Apesar de ser nova, já ganhou tanta coisa. A gente tem muito para crescer juntas. Vai ser uma coisa muito diferente. Vejo situação parecida com a da época em que cheguei ao Rio para jogar com a Sandra Pires. É parecido pela diferença de idade, ela vindo jogar no Rio, eu já sendo medalhista”, compara.

Todas essas mudanças, no entanto, não estavam nos planos. “Essa aceleração eu não esperava mesmo. Encarei isso com muita surpresa. Passei os primeiros dias mais quietinha, me dei o direito de não ter que ficar pensando com quem iria jogar e ter que arrumar logo uma comissão técnica. Ao mesmo tempo, resolvi curtir essa medalha maravilhosa. Fui aos programas de televisão, fui para o Sul, fiquei com a minha família lá, levei a medalha para todo mundo ver”, conta.

Paranaense quer aproveitar o auge da carreira já encarando outros desafiosMaíra Coelho / Agência O Dia

Em 2020, ano dos Jogos de Tóquio, Ágatha terá 37 anos. A tricampeã olímpica Walsh completou 38 anos durante a Olimpíada do Rio, quando conquistou a sua quarta medalha olímpica, de bronze. “Ela é um exemplo. É incrível a motivação dela, a vontade de vencer”, elogia Ágatha,que já segue algumas regrinhas por conta da idade: “Durante as férias, eu não paro com a parte física, só com bola. Eu sei que é mais difícil reiniciar o ano. Outro cuidado é com alimentação. Nas férias, eu até solto um pouquinho, mas não avacalho completamente porque sei que vai ser cada vez mais difícil recuperar o corpo.”

Definindo sua carreira como uma trajetória de altos e baixos, Ágatha chegou ao auge já veterana. Aos 32 anos, foi campeã mundial ao lado de Bárbara e, aos 33, realizou o sonho de estar nos Jogos pela primeira vez. “Apesar de nunca ter jogado uma Olimpíada, tantos anos jogando os Circuitos Mundial e Brasileiro me deram uma bagagem para chegar ali e não sentir tanta pressão do campeonato em si”, avalia.

Com a prata no currículo, ela conta que não pensou em encarar imediatamente um projeto rumo a Tóquio. Mas diz que a aposentadoria não estava nos planos. “Só conseguia pensar naquela medalha. Não conseguia pensar em Tóquio no primeiro momento. Mas eu não iria parar de jeito nenhum. Eu pensei: ‘Estou aqui, conquistei uma medalha de prata, estou no meu máximo como atleta’. Lutei muitos anos para chegar até aqui porque não fui a outras Olimpíadas. Agora é o momento para usufruir de tudo o que eu batalhei na minha vida”, resume a medalhista olímpica.

Agradecimento: La Fiducia Café

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