Por monica.lima

São Paulo - O Sistema Registrato do Banco Central (BC) pode funcionar como uma espécie de cadastro positivo e se tornar uma importante ferramenta de negociação de juros entre os clientes e as instituições financeiras. A afirmação foi feita pelo chefe adjunto do departamento de atendimento institucional do BC, Carlos Eduardo Gomes.

O novo sistema, lançado na segunda-feira pela autoridade monetária, permite ao cidadão ter acesso de forma rápida e segura, pela internet, às informações sobre suas operações de crédito e outros relacionamentos com o sistema financeiro. Agora, o cidadão não precisará mais se deslocar às representações do BC ou remeter pelo correio solicitação com firma reconhecida em cartório e cópias de documentos pessoais também autenticadas.

Eduardo Gomes ressalta que as informações podem ser usadas em favor do cliente que terá mais um instrumento de negociação junto aos bancos. No entanto, ele observa que as instituições financeiras têm sua política de cobrança de taxa de juro e não significa que a negociação será efetiva. “Pode, sim, beneficiar o cidadão. É um relatório detalhado de todo o histórico bancário do cidadão”, diz.

O executivo do BC avalia ainda que o cadastro também vai beneficiar o cidadão no sentido do planejamento financeiro e, se, eventualmente, alguém fez alguma operação usando documentos falsos, o cliente terá acesso à informação e condições de regularizar sua situação. “Até aquela conta que está aberta e o cidadão não lembra mais dela constará no relatório”, explica.

De acordo com Eduardo Gomes, o Registrato irá trazer informações desde 2001 que estão disponíveis no Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro (CCS) e no Sistema de Informações de Crédito (SCR). No primeiro caso, são apresentadas informações de todos os bancos com as quais o cliente possui algum relacionamento (como conta corrente, poupança e empréstimos). Já no SCR, contém informações do conjunto dos empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito que o cliente tiver obtido em cada instituição financeira, acima de R$ 1.000,00. “No SCR, o relatório será uma fotografia do último dia de cada mês. Todas as dívidas que tinha com o sistema financeiro nesta data – financiamento imobiliário, veículos e cartão de crédito, por exemplo. Vai mostrar se a situação está normal, se tem dívida, se esta pagando, se deixou de pagar, independente do prazo que a dívida esteja vencida”, explica.

O analista sênior da consultoria Austing Rating Luis Santacreu, também concorda que o sistema do BC será um concorrente do cadastro positivo dos birôs de crédito. Ele ressalta, no entanto, que o Registrato, ao contrário do cadastro positivo, não contempla informações de crédito fora do sistema bancário, como o pagamento de contas de luz, telefone, água, ou internet, por exemplo.

No entanto, Santacreu, observa que o cadastro positivo ainda esta engatinhando e que muitas pessoas não autorizam o uso de suas informações no sistema. “O cadastro positivo passou pelo Congresso porque envolve sigilo bancário e demorou para ser sancionado pela presidente (Dilma Rousseff). O cliente tem que autorizar o banco a fornecer a informação. As pessoas ficam com um pouco de medo de passar as informações, por isso, ainda não decolou. Há uma certa frustração na adesão”, diz, ressaltando ainda, que um não inviabiliza o outro. “Não mata, mas pode ser um forte concorrente”, avalia.

Santacreu também chama a atenção para o fato de no sistema do BC as instituições financeiras serem isentas de custos. “Será que os bancos avaliaram que estão gastando muito dinheiro com Serasa e SCPC? Pode ser que tenham se reunido para facilitar a vida do sistema, e o BC virou uma espécie de birô, e isso pode gerar uma economia para os bancos”, pondera. Segundo Eduardo Gomes, o Registrato não tem custo para os bancos e nem para os clientes.

Para Santacreu, um dos objetivos do BC foi dar maior transparência ao sistema. “A autoridade monetária sempre busca melhorar a transparência para que as informações fluam”, avalia.

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