Estoque de CDI cai 8% em abril e 17% no ano

Título de um dia que serve para remunerar a troca de recursos entre instituições perde importância frente ao mercado de papéis públicos, mas ainda é a referência para futuros

Por O Dia

São Paulo - O mercado de Certificados de Depósitos Interfinanceiros, os CDI —- títulos que normalmente tem prazo de um dia e servem para remunerar a troca de recursos “overnight” entre instituições financeiras — está a cada dia menos importante. Dados divulgados ontem pela Cetip, a central que registra e liquida títulos privados de renda fixa, mostra que o estoque desses papéis caiu para R$ 503 bilhões no final de abril. Isso representa queda de 8% em relação ao estoque no final de março, e de 17% em relação ao que estava no final de dezembro, Em doze meses, a queda foi de 23%.

“O mercado de ‘over’ lastreado em títulos privados (os CDI) é muito menor do que o da Selic, que é lastreado em títulos públicos. O Banco Central entra zerando os negócios entre bancos todos os dias”, diz Arnaldo Curvello, diretor da Ativa Wealth Management. “Para mim, não é estranho que o estoque de CDI esteja em baixa, mas sim que ele ainda exista”, diz.

Curvello lembra, ainda, que apesar de muito menor do que o mercado de papéis público, os futuros de DI são o principal derivativo do mercado brasileiro. E o segundo maior do mundo. O mercado fechou ontem na BM&FBovespa com R$ 2,171 trilhões de negócios. O contrato futuro de Selic, lançado em março de 2013, ainda engatinha. Ontem, foram realizados R$ 9,384 bilhões de negócios.

“O CDI predomina porque e interessante para os bancos. Como são títulos privados, eles (os bancos) é quem determinam as taxas”, diz Curvello, lembrando que hoje a taxa do CDI está abaixo da Selic. “Como os títulos públicos tem risco zero, deveriam em tese pagar menos”, afirma. De fato isso foi regra até alguns anos atrás. Ontem, a Selic diária estava em 13,15% ao ano e o CDI, em 13,13%.
Atualmente, o Selic possui aproximadamente 500 participantes e 12 mil clientes individualizados e, se considerados os diversos vencimentos registrados, é depositário de cerca de 370 tipos de título, que equivalem a 99% da carteira de títulos federais.

A média diária de operações de compra e venda de títulos entre instituições do mercado ultrapassa R$ 780 bilhões, sendo de mais de R$ 19 bilhões em operações definitivas e de R$ 761 bilhões em operações com compromisso de revenda e recompra.

Quando computados todos os tipos de operações cursadas no Selic — inclusive o retorno das compromissadas, as operações de redesconto, as emissões primárias de títulos, as vinculações/desvinculações e os pagamentos referentes a resgate, juros e amortizações — as médias diárias oscilam em torno de R$ 2 trilhões e de 16 mil operações.

Em relação às ofertas públicas da Secretaria do Tesouro Nacional, processam-se mensalmente perto de 40 leilões de títulos federais, que movimentam um montante superior a R$31 bilhões.

Estoque global de renda fixa fica praticamente estável

Ontem a Cetip divulgou ainda o estoque total de títulos privados registrados — ou seja, o volume que está na carteira de investidores, excluindo as aplicações já vencidas ou resgatadas. esse volume atingiu, no final de abril, a marca de R$ 2,518 trilhões, com aumento de 1,0% em relação ao apurado no mesmo período de 2014.

 evolução do estoque de títulos imobiliários registrados na Cetip confirma a importância destes no financiamento do setor. Juntos, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e as Cédulas de Crédito Imobiliário (CCI) apresentaram aumento de 37,1% no volume em estoque em relação a abril de 2014.

O estoque de títulos de captação bancária apresentou queda de 2,81%. O montante de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) recuou 13% e o de Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs) caiu 20% em relação a abril de 2014. Já as Letras Financeiras (LFs) aumentaram 18%.

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