Bombardeio mata militares sírios

Ataque liderado pelos EUA pode abalar trégua. Governo sírio diz que mais de 60 soldados morreram

Por tabata.uchoa

Síria - Um bombardeio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos deixou ontem dezenas de vítimas fatais em Deir al-Zor, na Síria. O governo sírio informou que 62 militares foram mortos e mais de 100 ficaram feridos. Entretanto, o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou que pelo menos 80 soldados sírios não resistiram ao ataque.

Crianças sírias em festividade na última semana%2C em meio aos escombros. ONU informa ter dificuldade para entregar mantimentos no paísEfe

De acordo com o governo de Bashar al-Assad, os soldados mortos se preparavam para atacar o Estados Islâmico. Em nota, o Exército sírio sustentou que há ‘evidências conclusivas’ de que os Estados Unidos e seus aliados apoiaram o grupo jihadista. O Exército da Síria controla o Aeroporto de Deir al-Zor e também atua em outras regiões da cidade que são dominadas pelo Estado Islâmico.

O ataque viola, mais uma vez, a trégua negociada entre Washington e Moscou. Mas os Estados Unidos alegam que o bombardeio tinha o objetivo de atingir cinco rotas de abastecimento do Estado Islâmico. É a mesma justificativa dada em outros ataques perto de Raqqa e em mais lugares da Síria.

O governo da Rússia disse que foram registrados mais de 50 ataques contra forças sírias e civis nas últimas 24 horas. Os russos responsabilizam os Estados Unidos pelo possível fracasso no cessar-fogo, em vigor há cinco dias. O ministério russo acredita que o ataque pode ser uma evidência da recusa dos Estados Unidos de coordenar a ação militar na Síria com a Rússia. “A situação da Síria se deteriora”, afirmou o general russo Vladimir Savchenko.

No quinto dia de trégua, milhares de civis nos bairros rebeldes de Aleppo não receberam a ajuda humanitária prometida. As partes em conflito não se retiraram da rota do Castello, ao norte da cidade, escolhida pela ONU para levar alimentos e medicamentos aos bairros rebeldes, no leste da cidade, onde vivem mais de 250 mil pessoas.

A Casa Branca informou a preocupação de Barack Obama, presidente dos Estados Unidos com o bloqueio feito pelo regime sírio. Sem garantias de segurança, os caminhões da ONU com mantimentos seguem em uma zona entre as fronteiras turca e síria.

Confirmada morte de extremista

O Pentágono informou, na noite da última sexta-feira, que matou o ‘ministro da Informação’ do Estado Islâmico, Wa’il Adil Hasan Salman al-Fayad, em um ataque aéreo ocorrido no dia 7 de setembro, em Raqqa, na Síria. Segundo o porta-voz da entidade, Peter Cook, a vítima era considerada uma das principais lideranças do grupo terrorista.

‘Dr. Wail’, como o terrorista morto ficou conhecido, era o responsável pela supervisão dos vídeos publicados na internet, que mostravam as execuções e as torturas cometidas pelos extremistas do grupo islâmico.

Ainda de acordo com Cook, ele tinha fortes ligações com Abu Muhammad al-Adnani, considerado o porta-voz dos jihadistas e morto em um ataque aéreo em 30 de agosto.

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