Minoritários da HRT voltam ao front após saída de fundos

Investidores institucionais recorrem ao Morgan Stanley para comprar 5,8% dos papéis da petroleira

Por O Dia

A saída do fundo canadense Discovery não encerrou a pressão de acionistas minoritários sobre a administração da HRT Participações, hoje controlada pelo empresário Nelson Tanure. Em operação comunicada anteontem à Bolsa de Valores de São Paulo, o banco Morgan Stanley informou a aquisição de 5,8% das ações da petroleira. Segundo fontes do mercado, a posição foi comprada por investidores institucionais, com o objetivo de atingir musculatura suficiente para influir na gestão da companhia, que vem sofrendo com altos custos e dificuldades para apresentar resultados.

Com estrutura acionária pulverizada, a HRT tem hoje Tanure como maior acionista, com 19,25% do capital, por meio do fundo JG Petrochem. Fundador da petroleira, o geólogo Marcio Mello reduziu sua participação após o início da crise de confiança na empresa, que resultou em disputas societárias com fundos de investimentos. Mello renunciou ao cargo de presidente da companhia em maio do ano passado e hoje participa de um conselho consultivo criado por Tanure.

As disputas internas ganharam força no final do ano passado, quando as ações da HRT começaram a sentir o peso da falta de resultados. Na época, os principais fundos de investimento se uniram para fazer um contraponto à gestão de Mello e conseguiram emplacar dois representantes no conselho de administração da empresa: Oscar Prieto e François Moreau, destituídos em dezembro por Mello, no auge da crise. Moreau diz que a derrota não desmobilizou os minoritários da companhia, mesmo após a saída do Discovery, maior opositor de Mello.

“São investidores acostumados a histórias de turnaround, de recuperação de empresas, que apostam que a HRT ainda pode gerar valor”, diz ele. Os acionistas veem sinais de que Tanure tem trabalhado para cortar custos e reduzir a queima de caixa com investimentos e custeio, principal problema da companhia desde a sua criação. Além de propor redução nas remunerações dos executivos, o empresário extinguiu esta semana a diretoria técnica, que era ocupada por Nilo Azambuja, indicado por Mello, em mais uma medida para enxugar a estrutura.

A ideia é que a HRT se torne, cada vez mais, uma empresa de gestão de participações, deixando em segundo plano a área operacional. Em março, a empresa anunciou a conclusão do acordo para transferência dos ativos de exploração de petróleo e gás na Bacia do Solimões para a russa Rosneft, que ganha a atribuição de operar a área e encontrar parceiros para transportar o gás natural até mercados consumidores — as reservas ficam a quase 800 quilômetros de Manaus, em meio à floresta amazônica, região com grandes entraves para a construção de gasodutos.

Enquanto isso, busca parceiros para suas atividades na Namíbia, onde perfurou três poços exploratórios sem sucesso. A expectativa da companhia é transferir a operação dos blocos em troca de compromisso com os investimentos necessários para novas perfurações, em movimento semelhante ao realizado pela brasileira Cowan, que repassou o controle de um bloco local à norte-americana Murphy Oil. “Percebe-se uma redescoberta da Namíbia, com novo interesse de petroleiras internacionais pelo país”, diz uma fonte próxima da empresa.
A HRT fechou o ano de 2013 com R$ 428 milhões em caixa. Este ano, tornou-se produtora de petróleo, após a conclusão do processo de compra do campo de Polvo, na Bacia de Campos, que produz uma média de 12 mil barris por dia e deve contribuir para gerar caixa à empresa.

Na visão dos acionistas minoritários, o baixo preço das ações, que fecharam o pregão de ontem a R$ 0,89, e o potencial de desenvolvimento dos projetos justificam a aposta em valorização futura. Relatório elaborado pela consultoria DeGolyer & MacNaughton divulgado no início de abril aponta a possibilidade de reservas de 131 bilhões de metros cúbicos de gás natural nas concessões da empresa no Solimões.

Últimas de _legado_Notícia