Imóveis ociosos geram renda e abrem novo modelo de mercado no Brasil

Chamada de economia colaborativa, o aluguel de tempo ou espaço em propriedades fracionadas se transforma em oportunidade

Por O Dia

Rio - Já comum em outras áreas, a chamada economia colaborativa chegou de vez aos mercados imobiliários e hoteleiro brasileiros — e chega para ficar. Modelos como o timeshare (tempo compartilhado) e fractional (venda fracionada de imóveis voltada para a segunda residência) ganham espaço por aqui.

“Existem dois campos que fortalecem o crescimento desses modelos: um ligado a negócios e empreendedorismo, com novos modelos que já surgem orientados pelo compartilhamento; e um outro lado que são as novas gerações, que já trazem o compartilhamento como forma de consumo”, explica o professor de Empreendedorismo do Ibmec/RJ, Thiago Almeida.

A RCI (Resorts Condominiums International), pioneira e líder de mercado em intercâmbio de férias, já possui 80 mil brasileiros associados. “O mercado está em pleno aquecimento. A nossa meta eram 17 projetos este ano e já estamos com 18. Esperamos crescer dois dígitos ao ano em número de clientes”, comemora a diretora da RCI no Brasil, Maria Carolina Pinheiro.

No modelo de tempo compartilhado, a empresa conta com cerca de 150 empreendimentos parceiros espalhados pelo Brasil, como o Rio Quentes Resorts e Beach Park. Pela RCI, os associados podem intercambiar seus pacotes de férias. Ou seja, um cliente que tenha um pacote de férias do Beach Park pode colocá-lo no pool de locação e se hospedar em outro hotel conveniado. O formato, que já é muito utilizado em países como Estados Unidos e México, tem ganhado força no Brasil nos últimos cinco anos.

“Há benefícios para quem vende, pois há vantagens como a criação de um novo canal de comunicação de vendas, melhorias na sazonalidade e antecipação do fluxo de caixa. E também para o cliente, que compra e garante férias por, por exemplo, dez anos e paga com preço congelado”, explica a executiva.

A RCI também atua no mercado de fractional, ou como é mais conhecido, a venda fracionada de imóveis. “A construtora fraciona a venda de uma casa, por exemplo, para doze famílias. Cada uma delas tem direito a usar a propriedade quatro semanas por ano. As pessoas podem, com a nossa ajuda, trocar a sua semana com outra família, de outro lugar. Não somos nós que fazemos as vendas”, ressalta a executiva.

Outro modelo de sucesso, o Airbnb chegou ao Brasil em 2012. Na época, eram apenas três mil anúncios em cidades brasileiras, hoje já são mais de 40 mil espalhados pelo país. O Rio de Janeiro é a cidade do que possui mais anúncios, quase a metade, e demanda pela plataforma. A cidade está em terceiro lugar no mundo, perdendo apenas para Nova York e Paris.

Pelo Airbnb, pessoas podem ofertar quartos, casas — na plataforma há até iglu —, ou seja, qualquer lugar extra que possuir, para serem alugados por viajantes que buscam opções diferentes de hotéis e albergues, com um baixo preço. “É um novo modelo de viajar, que sai, em média, 45% mais barato do que a estadia em um hotel”, diz o gerente de marketing do Airbnb no Brasil, Samuel Soares. O proprietário pode aceitar ou não seu locatário, e a empresa cobra a taxa de 3% sobre o valor do aluguel.

Durante a Copa do Mundo, os anfitriões brasileiros ganharam cerca de US$ 40 milhões. “Ao contrário do que muitos pensavam, o brasileiro está disposto a receber pessoas nesse modelo”, ressalta Soares.

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