Franquias reduzem formatos para manter ritmo de crescimento

De olho em um novo perfil de empreendedor, setor aposta em unidades mais enxutas

Por O Dia

São Paulo - Em tempos de crise, o setor de franchising literalmente encolhe para se expandir. A oferta de franquias em formatos menores e com custos mais enxutos é a tendência deste ano. Lojas mais compactas, quiosques e diferentes modelos de food truck são alternativas para franqueadores que precisam seguir com planos de expansão e para franqueados que apresentam um perfil diferente do empreendedor padrão — profissionais que saíram de suas empresas e dispõem de recursos de um Plano de Demissão Voluntária (PDV) ou têm dinheiro disponível para algum tipo de investimento e optam pela franquia como forma de obter rendimentos extras.

Cristina Franco, presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), lembra que o setor já foi o plano alternativo em outros momentos da economia brasileira, bem mais difíceis.

“Em momentos de recessão mais profunda, o franchising já foi um plano B. Eu mesma fundei uma franquia de qualificação profissional em um momento de hiperinflação. É comum que em momentos como este, e em um país que não tem um PIB linear, que haja a busca por opções que possam garantir mais segurança do que um investimento de risco. Os riscos no franchising são menores. E, atentas a esse movimento, as marcas formataram franquias com investimento menor”, assinala Cristina, que falou sobre o tema na abertura da ABF Franchising Expo, que começou ontem em São Paulo e vai até sábado.

Na AmBev, que tem entre os formatos de menor porte o Quiosque Chope Brahma, com nove metros quadrados, o gerente de Franquias Leonardo Tocci diz ter percebido uma procura de candidatos que, em geral, perderam o emprego e estão com recursos de uma indenização ou que procuram alternativas de investimento.

“Temos uma lista de espera de pessoas interessadas nesse modelo, que exige um investimento de R$ 100 mil”, diz Tocci.

A AmBev também desenvolveu este ano um modelo de parcelamento da taxa de franquia do Nosso Bar, modalidade mais popular, com custo em torno de R$ 20 mil e que exige que o franqueado já tenha um ponto de venda, que é transformado pela empresa.

“Estamos lançando uma parceria onde o franqueado faz um cartão de crédito e, nele, as parcelas da fatura são exatamente os valores, em 12 vezes, do custo da taxa de franquia. Nesse caso é mais uma forma de estimular que também os pequenos empreendedores possam ter acesso a uma franquia, melhorando o próprio negócio”,completa.

Outra franquia que também decidiu investir em formatos menores foi a Patroni Pizza, que decidiu apostar no modelo de negócio compacto com a Patroni Expresso. O diretor de Marketing da rede, Rafael Augusto, afirma que o custo de R$ 150 mil para montagem da franquia está dentro das expectativas de quem pensa em investir em formatos menores para locais como estádios de futebol, centros comerciais, estações de metrô e outros espaços com maior movimento.

“Nosso foco inicial são as praças de São Paulo e Rio de Janeiro e temos a meta de abrir 50 unidades expresso este ano”, diz ele.

De olho em todas as possibilidades de crescimento, Luis Felipe Campos, dono da franquia Seletti Culinária Saudável, também desenvolveu uma nova modalidade de loja, o Seletti Fit, para investidores que tenham cerca de R$ 25 mil a desembolsar para a franquia. A rede já tem uma unidade em operação em um posto de gasolina na zona Oeste da cidade de São Paulo. A expectativa é de que outras três unidades sejam inauguradas em mercados estratégicos, como São Paulo e Rio de Janeiro, em 2015.

Também no setor de alimentação, a franquia Divino Fogão, rede com 184 lojas em todo o Brasil, abriu no dia 23, na praça de alimentação do Carrefour Giovanni Gronchi, na zona Sul de São Paulo, o novo formato chamado Divino Fogão no Prato, com 39 metros quadrados. A loja oferece as refeições já no prato e não em sistema de buffet, como em seu formato tradicional.

Angelina Stockler, sócia-fundadora da ba}Stockler, consultoria especializada em franquias, afirma que a demanda de empreendedores com recursos de até R$ 100 mil vem aumentando e é reflexo do atual momento da economia.

“As redes franqueadoras estão adaptando e criando novos formatos, menores e mais enxutos, em função do aumento do desemprego. A procura por esse perfil de negócio é uma realidade e as marcas estão de olho nesse filão e, com isso, estão também se reinventando. A Imaginarium, por exemplo, acaba de lançar o seu modelo pocket, para lojas de rua. A Gajang, de vestuário, é outra que está otimizando os atuais 65 metros quadrados para 35 metros quadrados, condensando o mix de produtos ofertados”, diz ela, que também aponta outra vertente que trata dos contratos de aluguel de pontos comerciais.

“Nesse contexto, surgem também oportunidades como a flexibilização dos shoppings nas negociações e o surgimento de bons pontos comerciais em ruas estratégicas, cenários difíceis de se imaginar em outros tempos”, assinala Angelina.

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