Rebelião na Fundação Casa termina e reféns são liberados

Número de fugitivos já chegou a 132, dos quais apenas 32 foram recapturados. Especialista aponta que faltam vigilantes

Por O Dia

São Paulo - Rebelião na unidade de Pirituba, Zona Norte de São Paulo, da Fundação Casa, durou mais de quatro horas: começou nesta quinta-feira às 21h20, e terminou na madrugada desta sexta. Quatro servidores foram feitos reféns, mas foram liberados sem ferimentos. A Corregedoria Geral da Fundação informou que abriu sindicância para apurar as causas do tumulto.

“Todos os jovens envolvidos passarão por uma Comissão de Avaliação Disciplinar (CAD) para análise de sanções disciplinares a serem aplicadas. A comissão é formada por servidores de várias áreas do próprio centro socioeducativo. O Judiciário e os familiares dos adolescentes foram informados da ocorrência”, diz nota da instituição.

Internos em rebelião na Fundação Casa, em São PauloReprodução

No último mês, a Fundação Casa registrou seis fugas, a maioria na zona leste da capital. O número de fugitivos chegou a 132, dos quais apenas 32 foram recapturados.

Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança e ao Adolescente (Sitraemfa), João Faustino, as unidades da zona leste estão com carência de vigilantes, já que a empresa terceirizada que fazia o serviço entrou em falência.

Para ele, as constantes fugas têm relação com o baixo número de servidores destacados para atender os jovens. O sindicato vem preparando um dossiê para relatar as ocorrências e a situação de vulnerabilidade dos servidores para encaminhar aos órgãos de segurança.

Em nota, a Fundação Casa informou que alguns centros socioeducativos ficaram sem o serviço de vigilância patrimonial. Isso ocorreu em razão do descumprimento de obrigações contratuais da empresa terceirizada de segurança Aviseg. O problema vem sendo enfrentado desde o começo de maio. Por questão de segurança, os números de funcionários e centros afetados não são divulgados, diz o comunicado.

“O serviço que era prestado pelos vigias da empresa terceirizada está sendo realizado por servidores da Fundação Casa, em regime de hora extra”, esclarece a fundação. De acordo com a nota, o número de adolescentes por funcionário é definido levando em conta a previsão adequada de jovens que podem ser atendidos por servidores.