Gilberto Braga: Conhecimento virtual não é real

A Seleção não conseguiu transformar a informação que tinha em conhecimento real

Por O Dia

Rio - Há pouco tempo um aluno me pediu, durante prova em sala de aula, para responder as questões em seu tablet e me enviar tudo como mensagem por meio de uma rede social. Recusei, explicando que as normas da faculdade não permitiam tal recurso. Ouvi poucas e boas do estudante e ainda que eu era contra a modernidade tecnológica. Nada disso é verdade porque sou um usuário entusiasta da internet e das redes sociais.

Forçado a fazer as questões à mão, o aluno não conseguiu colocar nenhum acento certo nas palavras e errou a maior parte das pontuações do texto. Curioso foi o aviso que ele teve o cuidado de deixar no final: “Então professor desculpa ai os erros de portugues porque desaprendi de escrever sem o corretor de texto do word” (sic).

O episódio me lembra a seleção brasileira na Copa e os novos gestores do mundo financeiro. Como o aluno, os membros do time demonstravam segurança e conhecimento de tudo. Afinal, a tecnologia e o computador estão aí para disseminar informação. A Seleção não deveria ter perdido de goleada, até porque sabia tudo que a Alemanha faria, mas foi surpreendida taticamente pelos germânicos.

Falando de outra forma, não conseguiram transformar a informação que possuíam em conhecimento real. Como muitos jovens gestores de finanças de hoje, acham que sabem de tudo, porque tudo está de alguma forma disponível na grande rede da internet. Eles esquecem que ainda não inventaram como transformar toda a massa de dados em experiência prática.

O grande problema é que muita gente boa acaba caindo nessa armadilha. Como se fosse possível se formar em medicina assistindo à série da TV a cabo que é ambientada em um hospital. Ou, se tornar um exímio esquiador porque viu os jogos de inverno na Rússia.

Sonhar sempre será possível e é importante para se selecionar um objetivo a ser atingido. No entanto, também é preciso ter humildade e os pés no chão para trabalhar duro e reconhecer que a experiência da gestão não pode ser adquirida só com vídeos e relatos de olheiros.

Professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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