Mensalidades escolares terão reajuste acima da inflação em quatro capitais

Os aumentos variam de 8% a 16% e vão impactar na bastante comprometida renda da classe média

Por O Dia

Segundo Edgar Ribeiro%2C do Sinepe%2C reajuste deve ser de 8% no RioDivulgação

Rio - Pais que moram no Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre que preparem os bolsos: as mensalidades escolares nessas capitais terão reajuste acima da inflação oficial, que deve fechar 2014 em 6,4%. Os aumentos variam de 8% a 16% e vão impactar na bastante comprometida renda da classe média. Reajuste de salários de professores e funcionários, de tarifas como energia, telefonia e água são justificativas para as correções acima da inflação por parte das escolas.

Presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinepe/RS), Bruno Eizerik lembra que a definição da mensalidade depende da realidade de cada escola e tem por base planilha de custos que leva considera despesas gerais e administrativas, como materiais, conservação e manutenção, serviços públicos, despesas com pessoal e número de aluno pagante e não pagante. Segundo pesquisa do sindicato, o reajuste médio será de 9,11% no estado.

No Rio de Janeiro não será diferente. “O reajuste na maioria das escolas privadas deve ser de 8%. Pode ficar acima, mas será exceção”, diz o presidente do Sinepe-Rio, Edgar Flexa Ribeiro.
Já em Minas Gerais o impacto deverá ser maior. Segundo o Sinepe-MG, ficará entre 12% e 16%. Em São Paulo, o aumento vai variar entre 10% e 12% em relação à mensalidade de 2014.

IMPACTO NO ORÇAMENTO

Economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), André Braz explica que, no Índice de Preço ao Consumidor (IPC/FGV), cursos formais de ensino comprometem 3% do orçamento familiar. Significa que, para cada 1% de aumento, a contribuição para a inflação é de 0,03 ponto percentual. Se o reajuste médio for de 10%, por exemplo, o índice subirá 0,30 ponto percentual só pelo reajuste das mensalidades.

Professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Alexandre Jorge Chaia explica que os reajustes acima da inflação ocorrem por conta de incertezas da economia. Ele explica que não se apenas trata de reposição, mas de estimativas de altas que ainda estão por vir, como os salários de professores, transporte e salário mínimo.

“Em alguns casos essas estimativas são supervalorizadas por conta do desalinhamento de preços ao longo de 2014. O mais agravante é que vários setores acabam reajustando acima das perdas para se proteger, e o país entra numa espiral de inflação”, afirma Chaia.

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