Fugir da inflação e lucrar é desafio dos brasileiros

Com cenário econômico abalado, poupança deixa de ser investimento lucrativo

Por O Dia

Rio - Diante de um cenário econômico pouco favorável para os investimentos, proteger o dinheiro da inflação alta — e ter rendimento nas aplicações ao mesmo tempo — é o desafio dos brasileiros em 2016. Após a poupança ter causa do perdas aos correntistas em 2015, especialistas sinalizam alternativas de investimentos para quem consegue fazer uma reserva de dinheiro mesmo nessa época de crise. A renda fixa, que pode ser favorecida em um cenário de juros altos quando atrelada à Selic, a taxa básica de juros do governo, é a principal recomendação dos especialistas para este ano.

Fugir da inflação e lucrar é desafio dos brasileirosArte O Dia

A caderneta de poupança decepcionou em 2015. De janeiro a dezembro rendeu 8,15%, menos que a inflação oficial, que ficou em 10,67%. Ou seja, o custo de vida aumentou mais do que a rentabilidade da poupança. Atualmente, a modalidade rende 70% da taxa Selic, quando é menor ou igual a 8,5% ao ano. Quando é maior do que isso, o rendimento é de 0,5% ao mês. Com o alto patamar dos juros — a Selic está em 14,25% — especialistas não recomendam o investimento. “Na prática, quem aplicou na poupança perdeu dinheiro ao longo do ano e deve continuar da mesma forma em 2016”, prevê o consultor de investimentos Ronaldo Vargas.

Para os especialistas, a renda fixa é a saída mais segura para este ano. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são as mais indicadas. Isso porque, além de serem protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em até R$ 250 mil por instituição financeira (se o banco quebrar, o investidor é ressarcido), são isentas de cobrança de Imposto de Renda.

Outra modalidade de renda fixa é o Tesouro Direto, o programa de compra e venda de títulos públicos do governo federal. Ele oferece títulos com rentabilidades variadas: pré-fixada, atrelada à Selic ou atrelada à inflação oficial, medida pelo ao Indice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Não é o investimento que melhor remunera. Há produtos seguros e mais rentáveis, mas, com as ‘gordas’ taxas de juros, os títulos federais seguem como principais produtos que devem constar em uma carteira de investimentos", diz o economista Reginaldo Barros, da consultoria Pra Valer.

Carol Lima investe em imóveis para evitar modalidades voláteisDivulgação

2016 não é ano para riscos

Os investimentos de alto risco, como dólar, ações ou fundos de renda variável, devem ser evitados em 2016, recomenda Barros. As ações são investimentos muito voláteis, pois seus preços mudam a qualquer momento com influência de fatores econômicos e políticos.

O dólar liderou o ranking de rentabilidade no ano de 2015, com valorização de quase 50%. Mas comprar a moeda norte-americana ou investir em fundo cambial, com rentabilidade atrelada ao dólar, pode não ser bom negócio pois sua cotação é muito instável.

Investidores continuam cautelosos

Precaução foi a palavra de ordem dos investidores em 2015. Carol Lima, sócia-proprietária da empresa Leads Care Cosméticos, resolveu apostar no ramo imobiliário, para fugir de investimentos mais voláteis. “Quando a bomba da crise dava seus piores sinais, comecei a reduzir custos na empresa e o capital de investimento também. Achei que seria melhor dar uma segurada, já que não sabia o que poderia acontecer já no dia seguinte”, explicou.

Helio Donin Jr. diversifica a carteira de investimentos como prevençãoDivulgação

Para 2016, ela não planeja investimentos com grandes aportes. “O momento agora é de cautela total, pelo menos ao meu ver. Vou atuar e priorizar sempre investimentos que trarão retorno a curto ou médio prazo”.

Já Helio Donin Jr., contador e diretor da Donin Contabilidade, afirma que diversifica a carteira de investimentos para se proteger de possíveis grandes perdas. “Com o ambiente do país em crise, precisamos ser mais profissionais, ter mais embasamento técnico e aumentar as nossas pesquisas”, diz ele.

CONHEÇA AS MODALIDADES

POUPANÇA
A aplicação tradicional tem remuneração mensal com juros de 0,5% ao mês, mais Taxa de Referência (TR). Como os juros não têm previsão de queda, a aplicação continua sendo uma opção menos rentável em 2016. A abertura de uma conta poupança é feita nos próprios bancos.

TESOURO DIRETO
Tesouro Direto é a maneira de investir em títulos públicos emitidos pelo governo. Eles podem ser indexados à taxa Selic, à inflação ou ainda pagar uma taxa previamente acordada de juros (os chamados títulos prefixados).

É importante aplicar nos títulos que coincidam com a data que se deseja retirar a aplicação, porque aí o investidor terá certeza de que irá receber o valor que está contratando. As negociações são feitas pelo site do governo site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto.

LCIs e LCAs
São títulos de crédito que têm como garantia financiamentos imobiliários ou financiamentos agrícolas. Não há incidência de IR nem de taxa de administração e são garantidas pelo FGC (Fundo Garantidor de crédito) no valor de até R$ 250 mil.

A desvantagem, segundo os especialistas, é que normalmente existe prazo para que o dinheiro permaneça aplicado, sendo impossível fazer a retirada enquanto não vencer a data do resgate. De forma prática, é possível contratar, diretamente nas instutuições financeiras, algumas LCIs ou LCAs com vencimento em 90, 180 e 360 dias.

CDB
Os Certificados de Depósito Bancário são um título que os bancos emitem para se capitalizar — ou seja, conseguir dinheiro para financiar suas atividades de crédito. Portanto, ao adquirir um CDB, o investidor está efetuando uma espécie de “empréstimo” para a instituição bancária em troca de uma rentabilidade diária.

Existem três tipos principais de CDB: o prefixado, o pós-fixado e os que pagam juros mais um índice de inflação. O título também é contratado nas instuições financeiras.

BOLSA DE VALORES
O mercado de ações, ou seja, a bolsa de valores é geralmente um lugar de encontro entre a oferta e a demanda. É uma instituição, um tipo de organização social com regras pública ou privada, que permite a troca de bens ou ativos, possibilitando a fixação do preço.

Investidores usam várias ferramentas, tais como a análise técnica que é o método gráfico de acompanhamento, e a análise da evolução dos cursos para para considerar os cenários futuros. A negociação é um método de compra e venda usado com um único propósito de ganhar dinheiro. As transações são feitas por meio de corretoras ou em aplicações independentes.

REGRAS GERAIS
Os especialistas recomendam que, antes de pensar em aplicar em qualquer modalidade, é importante saber o quanto tem para aplicar e nunca estar endividado. “Dinheiro para investir é apenas aquele que o brasileiro consegue guardar, não adianta entrar em dívidas”, conclui Reginaldo Barros.

Últimas de _legado_Economia