Sinal de alerta para dengue em 81 bairros do município

Em boa parte das zonas Norte e Oeste, há mais focos do mosquito que o considerado seguro

Por bferreira

Rio - Sinal de alerta para as zonas Norte e Oeste do Rio: 81 bairros estão com índices de infestação pelo mosquito da dengue acima do nível considerado seguro pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é de 1%, ou seja, dez imóveis a cada mil com larvas do inseto. A situação é pior em locais como Madureira, Irajá e Cascadura, onde a taxa é de 1,8%.

Clique na imagem acima para ver o infográfico completoArte%3A O Dia

A média da cidade é de 1,1%, índice que aparece na Grande Tijuca. O Grande Méier, além de surbúrbios da Leopoldina e o bairro de Campo Grande e adjacências estão com 1,2%. Os dados são do Levantamento de Índice Rápido do Aedes Aegypti (LIRAa), divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde. Apesar de não configurar surto, o que só ocorre quando o índice chega a 4%, o número merece atenção, já que o aumento das chuvas e da temperatura, que vai persistir daqui para a frente, ‘ajuda’ o mosquito a se proliferar. Os dados foram coletados entre 13 e 19 de outubro.

Segundo a secretaria, é o menor índice desde 2005. Mas, segundo Marcus Vinicius Nunes Ferreira, coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde do órgão, isso não significa que cidadãos e poder público possam ‘relaxar’. “O combate ao mosquito tem que ser feito o ano todo”. Imóveis abandonados e a dificuldade que os agentes de saúde têm de conseguir entrar em certas residências são as principais justificativas para a incidência de focos em várias destas regiões.

Durante as visitas, cerca de 22% dos domicílios não são acessados. “Há um grande número de comunidades em que a violência faz com que as pessoas tenham medo de abrir as portas”, relata. O panorama pode mudar, porque, em março, os agentes começaram a ser territorializados, ou seja, terão casas específicas para visitar e combater a dengue.

Não basta esvaziar recipientes de água

Edmilson Migowski, infectologista da UFRJ, explica que não basta retirar a água parada dos recipientes para evitar que o mosquito da dengue se prolifere. É preciso também esfregar bem cada local com sabão, para ‘arrancar’ ovos que estejam ali, e que são invisíveis a olho nu. A fêmea coloca ovos na parte seca dos reservatórios, e eles podem sobreviver ali por até um ano e meio. “As chuvas, mais frequentes no verão, molham os ovos e eles viram mosquitos. Por isso essa época do ano é mais perigosa”, diz. Cerca de 10% dos ovos postos pela fêmea infectada darão origem a mosquitos com a doença, o que aumenta a transmissão da dengue. Migowski alerta ainda que as altas temperaturas aceleram o processo de maturação do mosquito.

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