Ucrânia lança operação antiterrorista após violência deixar 26 mortos

Principal agência de segurança do país acusa manifestantes antigoverno de pegar centenas de armas de seus escritórios

Por O Dia

Ucrânia - A principal agência de segurança da Ucrânia acusou nesta quarta-feira os manifestantes antigoverno de apreender centenas de armas de fogo de seus escritórios e anunciou uma operação nacional antiterrorismo depois que confrontos de rua deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos no dia anterior no país.

O anúncio foi feito enquanto manifestantes desafiaram a repressão e tomaram controle do correio central da capital nesta quarta-feira, lançando bombas e pedras contra a tropa de choque. Em resposta, policiais lançaram granadas de efeito moral e dispararam canhões d'água.

Os manifestantes forçaram a entrada no posto dos correios da Praça da Independência, também conhecida como Maidan, depois que um prédio vizinho previamente ocupado pegou fogo no dia anterior aos confrontos. Contra a ofensiva oficial, milhares de ativistas armados com bombas de fogo e pedras defenderam o local, que tem sido a fortaleza e se tornou um símbolo para os manifestantes.

Fumaça sobe pela Praça da Independência durante protestos antigoverno no centro de Kiev%2C na UcrâniaReuters

Sanções da UE

A União Europeia tentará alcançar, em caráter de urgência, a imposição de sanções contra os responsáveis pela violência e pelo uso excessivo da força na Ucrânia, disse nesta quarta-feira o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

As medidas, a serem discutidas em reunião de emergência com os membros das 28 nações do grupo nesta quinta-feira, incluem banir viagens de importantes autoridades para a UE e congelar seus bens nos países-membros. Proibições de viagem e congelamento de bens para os poderosos oligarcas que apoiam o presidente Viktor Yanukovych poderia fazê-los pressioná-lo a uma mudança de curso.

"Esperamos que medidas contra os responsáveis pela violência e pelo uso excessivo da força possam ser acordadas pelos nossos Estados-membros em caráter de urgência", disse Barroso em comunicado. "Pedimos a todas as partes que ponham fim à violência imediatamente e se engajem em um diálogo significativo, respondendo às aspirações democráticas do povo ucraniano", acrescentou.

Manifestantes antigoverno se reúnem na Praça da Independência%2C no centro de KievReuters

Manifestações violentas

A violência dos protestos nesta terça-feira foi a pior dos últimos três meses de manifestações contra o governo ucraniano. O ministro do interior da Ucrânia, Vitaliy Zakharchenko, divulgou que houve pelo menos 25 mortos nos conflitos.

As manifestações paralisaram a capital Kiev em uma luta sobre a identidade da nação, dividida entre pessoas leais à Rússia e aos grupos pró-Ocidente. A onda de protestos é a pior da história do país no período pós-soviético.

O Kremlin disse que as manifestações são uma "tentativa de golpe" que enchem de incerteza o futuro da Ucrânia, mas criticou o Ocidente pela alta escala de violência.

Nesta quarta-feira, o presidente Yanukovych culpou os manifestantes pela violência excessiva e disse que os líderes da oposição "cruzaram a linha quando eles estimularam as pessoas a pegar em armas".


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