Pesquisa clínica sobre câncer no Brasil não avança

'Estão assassinando as investigações no País', diz médico Carlos Barrios

Por O Dia

Porto Alegre - Enquanto o número de pacientes com câncer aumenta no Brasil, pesquisas clínicas sobre a doença não evoluem no País. O assunto é um dos temas do 2º Congresso Multidisciplinar em Oncologia do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus aberto nesta sexta-feira, em Porto Alegre (RS).

“Infelizmente, estão assassinando a pesquisa clínica no Brasil”, lamenta o médico Carlos Barrios, diretor executivo da American Cooperative Oncology Group Latin (Lagoc), explicando que na América Latina são desenvolvidas apenas 4% dos estudos clínicos mundiais em andamento, conforme levantamento do Instituto Nacional de Saúde nos Estados Unidos.

De acordo com o periódico científico The Lancet Oncology, a América Latina está prestes a enfrentar uma epidemia de câncer. Estima-se que 1,7 milhão de casos serão diagnosticados até 2030 e mais de 15 milhões de mortes deverão ser registradas neste período. Atualmente 95% das investigações existentes são bancadas pela indústria farmacêutica. “Só em 2013, 112 pesquisas deixaram de ser feitas no Brasil, prejudicando mais de três mil pacientes. O que ocorre com a pesquisa clínica hoje é criminoso”, desabafa Barrios.

Na terça-feira,dois dos principais pesquisadores de câncer de mama do mundo – Fabrice André, professor do Instituto Gusytave Roussy, da França, e Martine Piccart-Gebhart, professora da Université Libre, Bruxelas, e diretora do Departamento de Medicinas do Instituto Jules Biordet, Bélgica, estarão no Brasil . Ambos vão discutir – em conjunto com investigadores de grupos latino-americanos de pesquisa – alternativas para enfrentar o crescente problema de câncer que ameaça a América Latina.

As principais barreiras para o desenvolvimento da pesquisa científica hoje na América Latina incluem a falta de estrutura nas organizações nacionais ou regionais dedicadas ao assunto, um número limitado de pessoas qualificadas e especializadas, por exemplo, estatísticos, monitores de estudos e outros membros operacionais, falta de reconhecimento público da importância da pesquisa clínica, obstáculos legais e regulatórios em alguns países, e, criticamente, a falta de financiamento para apoiar investigações.

“Na época do governo Lula, foi prometido pelo menos um acréscimo de 1,5% em investimentos financeiros em pesquisas no Brasil, que detém apenas 2% das publicações no mundo. Mas isso não foi cumprido”, diz Barrios.

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