Indonésia rejeita recursos de australianos sobre pena de morte

Andrew Chan e Myuran Sukumaran eram líderes do grupo 'os nove de Bali'; brasileiro também está na lista de execução

Por O Dia

Indonésia - Um tribunal na Indonésia rejeitou os recursos de dois australianos condenados à morte por tráfico de drogas, alegando que eles não podem contestar a decisão do presidente de negar-lhes clemência. Andrew Chan e Myuran Sukumaran foram condenados à morte por serem líderes do grupo que passou a ser conhecido como "Os Nove de Bali", presos em 2005 ao tentar deixar a Indonésia com 8,3 kg de heroína.

Eles estão entre os 10 detentos no corredor da morte na Indonésia. Nesta lista há, também, o paranaense Rodrigo Gularte, de 42 anos, preso em julho de 2004 após tentar entrar no país com 6 kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe.

Os australianos Chan e Sukumaran tentaram transportar oito quilos de heroína da ilha de Bali para a AustráliaEFE

A família do brasileiro tenta impedir que ele seja executado após Gularte ter sido diagnosticado com esquizofrenia. Ele foi submetido a um outro exame a pedido do governo indonésio em março, cujo resultado não foi divulgado.

Os australianos e o brasileiro estão na prisão de Nusakambangan, onde as execuções — que são por fuzilamento — deverão ser realizadas. Nenhuma data foi anunciada, mas autoridades indonésias disseram que todos os presos serão executados juntos, após os recursos serem analisados. Chan e Sukumaran recorriam de uma decisão anterior que os impedia de contestar a decisão do presidente, Joko Widodo, que negou seus pedidos de clemência.

Os advogados dos australianos argumentavam que Widodo não havia dado a consideração adequada ao caso deles. Mas a Corte Administrativa em Jacarta manteve a decisão anterior, dizendo que não tinha autoridade sobre o caso. Tecnicamente, a clemência pelo presidente é o último recurso legal de detentos para evitar a execução.

Paranaense Rodrigo Gularte está na lista de execução da IndonésiaReprodução

Não está claro quais serão os próximos passos. Um porta-voz do Procurador-geral da Indonésia disse que não há mais opções legais para os australianos, disse a agência de notícias Reuters. Mas um advogado de Chan e Sukumaran disse a jornalistas que "continuará com os esforços legais".

Widodo, que assumiu a Presidência no ano passado, adotou uma postura firme em relação a crimes relacionados a drogas. Em janeiro, a Indonésia executou seis presos, inclusive o carioca Marco Archer Cardoso Moreira.

A Indonésia tem uma das mais duras leis contra drogas no mundo e está sob grande pressão internacional para que cancele as próximas execuções.

Mais de 130 presos estão no corredor da morte, 57 por tráfico, segundo a agência Associated Press.

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