Atirador que matou jornalistas disse que faria tudo para 'conseguir justiça'

Chefe chegou a pedir que Bryce procurasse ajuda. Após demissão, ele teve que ser retirado de emissora pela polícia

Por O Dia

Estados Unidos - O homem que matou dois jornalistas na manhã desta quarta-feira, na Virgínia, nos Estados unidos, tinha sérios problemas de relacionamento no trabalho, revelaram relatórios internos da afiliada da "CBC", "WDBJ". Após entrar com um processo contra a emissora por racismo e assédio sexual, Bryce Williams, nome que o atirador Vester Flanagan II usava no trabalho, chegou a dizer que faria de tudo para "conseguir justiça" poi era uma pessoa "muito persistente", revelou a "ABC" nesta quinta-feira.

Vester Flanagan II%2C conhecido como Bryce WilliamsReprodução Internet

O então chefe de reportagem de Bryce quando era repórter da "WDBJ", Dan Dennison, chegou a pedir que ele procurasse ajuda médica, de acordo com a emissora.

Em maio de 2012, foi registrado que Bryce xingou o cinegrafista que fazia uma reportagem com ele e o envergonhou em frente a um entrevistado.

"Seu comportamento continua a provocar atrito com os colegas", disse Dan dois meses depois, acrescentando que "claramente" ele provocou danos no relacionamento com membros da fotografia. "É sua responsabilidade reparar essas relações", afirmou o chefe.

A chefia do atirador chegou a avisá-lo que seu comportamento poderia resultar em demissão, mas os casos só pioraram.

"Talvez seja hora de ir", disse Bryce em uma das discussões com o chefe, mas quando chegou o momento de assinar os papéis, ele disse: "É melhor você chamar a polícia pois eu vou fazer uma cena. Isso não está certo".

Mesmo com a chegada de dois agentes da polícia, Bryce se recusou a deixar o prédio e queria falar com o dono da emissora. Quando um dos policiais tentou desligar o telefone, ele reagiu de forma violenta.

Bryce foi demitido em Fevereiro de 2013 e após cerca de um ano acusou a emissora de assédio sexual e racial. Ele representou a si mesmo no caso, que terminou em julho de 2014, mas a emissora ganhou por falta de provas.

Durante o julgamento, Bryce exigia uma juíza negra para julgá-lo. Em sua defesa ele acusou a equipe da "WDBJ" de conspirar contra ele. "Não vou descansar enquanto não resolver essa questão. Sou uma pessoa muito persistente, muito, e vou utilizar todos os recursos que tenho para atingir justiça", declarou Bryce.

Alison Parker e Adam Ward foram mortos a tiros durante uma entrevista ao vivo Divulgação

A "ABC" revelou também que, nesta quarta, recebeu ligações de um homem que se identificava como Bryce WIlliams durante os últimos dias, dizendo que mandaria uma pauta e enviaria um fax, mas a ação nunca aconteceu. Após cometer os assassinatos, Bryce ligou para a emissora e disse que as autoridades estavam atrás dele e em seguida, desligou.

Em uma "carta de suicídio para amigos e família" enviada à emissora, o atirador conta que o que motivou sua ação foi o ataque ocorrido em uma igreja da comunidade negra de Charleston, na Carolina do Sul, quando nove pessoas morreram.

"Por que eu fiz isso? Eu fiz um depósito para pagar uma arma no dia 19/6/2015. O tiroteio na igreja de Charleston aconteceu em 17/6/2015", diz o texto de 23 páginas enviado à emissora. Segundo a emissora, ele expressou admiração por atiradores de assassinatos em massa, como o massacre de Virginia Tech, que deixou 33 mortos em 2007 e o de Columbine, com 15 mortos em 1999.

O atirador morreu na tarde desta quarta-feira depois de ter atirado em si mesmo durante uma perseguição policial. A repórter Alison Parker, de 24 anos, e o cinegrafista Adam Ward, de 27, foram mortos a tiros enquanto faziam uma entrevista ao vivo em um shopping na cidade de Moneta por volta das 6h45 (horário local) e morreram na hora.

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