Dandara de Souza Araujo: Viva a Uerj e seus estudantes

As dificuldades enfrentadas pela Uerj infelizmente não são notícia nova

Por O Dia

Rio - As dificuldades enfrentadas pela Uerj infelizmente não são notícia nova. Não temos residências estudantis, as bolsas de iniciação científica são em valores irrisórios, e são insuficientes os auxílios aos estudantes que ingressam a partir das ações afirmativas. Há poucos dias, não havia água nos bebedouros. Constantemente, há falta de energia, e turmas já fizeram provas até mesmo sem luz. Nessa realidade, é o amor dos estudantes pela Uerj um dos pilares que ainda a sustentam. Se inclusive contra este se encontram dificuldades, porém, agravam-se os problemas.

Tradicionalmente, as cerimônias de colação de grau dos formandos da Uerj acontecem no Teatro Odylo Costa Filho. Celebrar no ‘Teatrão’ a conclusão do Ensino Superior significa a alegria e o amor pela Uerj. A universidade, no entanto, vai na contramão da valorização desse momento.
As normas são extremamente restritivas ao uso do Teatrão para as cerimônias de colação de grau. Causa estranhamento, porém, que tais regras sejam flexibilizadas aos usuários externos que não celebram a formatura e, mediante aluguel, utilizam o teatro sem as mesmas extremas restrições.

Há inclusive, para os estudantes, limitação de datas para a comemoração. Tal restrição ocorre em flagrante incoerência com o calendário da universidade, que, nos últimos dois anos, prorrogou-se até fevereiro e, em 2014, durará ao menos até janeiro de 2015. As restrições determinadas ao uso do Teatrão vêm, assim, obrigando que estudantes alterem as datas às vésperas das comemorações para se adequar às inesperadas mudanças de calendário.

Muitas turmas têm sido obrigadas a abrir mão da emoção de se formar em casa, investindo em outros locais valores de difícil custeio. Trata-se da Uerj afastando de si até mesmo a proposta de transformação social pela qual lutou, ao adotar as cotas.

Diversos problemas das universidades públicas decorrem de questões estruturais, para as quais o compromisso do Estado é imprescindível. Outras questões, contudo, podem ser solucionadas pelo diálogo entre a administração e os estudantes. Quando os gestores são incapazes de ouvir uma demanda tão simples como o desejo de valorizar a universidade em um dos momentos mais marcantes da vida de todo universitário, é um mau sinal.

Constrangimentos à formatura são o engessamento dos sonhos dos concluintes. Comemorar a colação de grau na Uerj não é luxo, mas selar a superação de todas as adversidades e vibrar pelos profissionais de qualidade que amam e não renunciam ao lugar que os formou.

Aluna de Direito da Uerj e diretora do Centro Acadêmico Luiz Carpenter

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