Editorial: Má conduta de poucos não pode virar regra

A Polícia Militar do Estado do Rio se vê diante de novo caso bárbaro de violação dos direitos humanos

Por bferreira

Rio - A Polícia Militar do Estado do Rio se vê diante de novo caso bárbaro de violação dos direitos humanos — a despeito do que houve com o pedreiro Amarildo e de toda a comoção em volta do ocorrido. A Delegacia de Homicídios não tem dúvida de que uma guarnição da PM executou Mateus Alves dos Santos, um suposto menor infrator, e tentou matar outro, na erma Estrada do Sumaré. O segundo jovem sobreviveu para contar a história, que volta a macular a reputação da corporação em meio a esforços que a aproximaram do cidadão.

Assombram as semelhanças deste episódio com o que aconteceu com Amarildo, ao menos de acordo com os primeiros depoimentos. Em ambas as situações, cidadãos suspeitos são interceptados por policiais, que, em vez de levá-los a autoridades competentes para uma justa averiguação, os mantêm em cárcere privado — dentro da viatura — e os executam, com o especial cuidado de esconder o corpo. Amarildo e Mateus foram pegos para ‘expiar’ crimes maiores, respectivamente a reação do tráfico da Rocinha à UPP e os roubos na Avenida Presidente Vargas. Ainda que fossem pegos em flagrante delito, jamais se poderia pensar em tolerar a morte num lugar isolado, expediente de ditaduras.

Mais uma vez a polícia deve se envergonhar dos poucos quadros podres que a habitam, cuidar para que tenham punição justa e se esforçar para pôr fim a essas insanidades. O Caso Amarildo devia ser a exceção, mas o que houve com Mateus acende um alerta para conduta de raros que teima em tentar ser regra.

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