José Paulo Martins Junior: O movimento anti-PT

PSDB e PT ocupam as duas primeiras posições na corrida eleitoral somando sempre mais de 70% dos votos

Por O Dia

Rio - A disputa pela Presidência tem sido protagonizada por dois partidos. PSDB e PT ocupam as duas primeiras posições na corrida eleitoral somando sempre mais de 70% dos votos. A concentração da disputa contrariava a maior parte da literatura sobre os partidos políticos no Brasil, tidos como incapazes de estruturar as preferências dos eleitores.

Como explicar a polarização? Existem três teorias influentes sobre o comportamento eleitoral. A escola sociológica defende a noção de que o voto é uma experiência de grupo e indivíduos com características semelhantes tendem a ter o mesmo padrão de voto. No Brasil, somente o nível socioeconômico exerce efeito em eleições presidenciais, mas não em sentido partidário. Aqui os mais pobres tendem a ser governistas enquanto que os mais ricos são oposicionistas.

Outra vertente privilegia a identificação partidária do eleitorado. Metade dos eleitores brasileiros declara inclinação partidária, dos quais metade é simpatizante do PT. Essa variável tem mais impacto quando consideramos que parcela equivalente do eleitorado é antipetista.

Finalmente, a chamada escola econômica destaca a avaliação de desempenho do governo e dos candidatos. Sempre que o governo tem índices de avaliação favoráveis, seu candidato é praticamente imbatível. Na mesma linha, pode-se dizer que existe uma combinação mágica para o sucesso eleitoral. Ela ocorre quando algum candidato é identificado como alguém capaz de resolver o principal problema do país. Foi assim em 1994 com FHC/inflação, em 1998 com FHC/crise econômica e em 2002 com Lula/desemprego. Em 2006 o problema mais grave, a corrupção, não tinha candidatos considerados capazes de enfrentá-la e em 2010 a aprovação do governo Lula elegeria qualquer candidato apoiado por ele.

Existem evidências nas pesquisas que uma das questões centrais na disputa eleitoral de 2014 é o antipetismo, reforçado por 12 anos no comando do país. O PSDB deveria ser o canal esperado para esse sentimento. Era até a tragédia que abateu Eduardo Campos e sua substituição por Marina Silva. A despeito de sua carreira no PT, ela se tornou a candidata que pode derrotá-lo.

Estamos vivenciando a ruptura da polarização entre PSDB e PT. Talvez seja uma indicação de que ela nunca tenha ocorrido, que o que sempre aconteceu foi a disputa entre PT e anti-PT e que o eleitorado anti-petista tem agora uma nova aposta.

José Paulo Martins Junior é coordenador do curso de Ciência Política da Unirio

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