Editorial: Soluções a fórceps só constrangem

O inquérito do latrocínio do médico Jaime Gold, até anteontem “um caso encerrado” para a polícia, foi reaberto, causando constrangimento

Por O Dia

Rio - O inquérito do latrocínio do médico Jaime Gold, até anteontem “um caso encerrado” para a polícia, foi reaberto, causando constrangimento. Quando da elucidação informada semana passada, houve, dentro da própria Polícia Civil, quem estranhasse a rapidez da investigação ou questionasse alguns dos métodos empregados. Eis que surge um terceiro suspeito, este também confesso, o que embaralha o caso.

A reviravolta, porém, não altera algumas certezas: o policiamento ostensivo na Lagoa (como no Centro, como no Aterro) anda muito falho; há mercado de receptação de bicicletas e celulares forte o suficiente para instigar assaltantes; e os três envolvidos na morte do médico, embora vítimas de um sistema excludente, precisam pagar pelo que cometeram. O episódio nos remete a outros casos.

Em julho de 2012, o serralheiro Ariel fora acusado de matar um policial num arrastão na Washington Luís. Tentou-se de tudo para incriminá-lo: de mudanças em depoimentos a um ‘reconhecimento’ por olho-mágico. Mais tarde provaram-se a inconsistência de provas e a inocência de Ariel, já que o agente fora morto por fogo amigo acidental.

Em 2011, o menino Juan desapareceu após ação desastrosa da PM no bairro Danon, em Nova Iguaçu. Ele fora baleado num ‘tiroteio’ cujo confronto nunca existiu, e seu corpo, atirado num rio longe dali. Com a denúncia da família, acabaram localizando-o, mas, de início, a perícia afirmou que os restos eram de uma menina. Exames foram refeitos e comprovaram ser do garoto o cadáver despojado.

Pela repercussão do Caso Gold, a polícia tratou de buscar uma solução rápida. Agora se questiona se esta não veio a fórceps, como nos episódios acima, numa atitude que só constrange os injustamente acusados, a sociedade e a própria polícia.

Últimas de _legado_Opinião