Editorial: Lava Jato e a quebra de paradigmas

Persistia no Brasil a certeza de que figurões não iam presos

Por O Dia

Rio - Até o início da semana passada, então em 13 fases, a Operação Lava Jato já havia desnudado enormes esquemas de desvios e privilégios que tanto prejudicaram a Petrobras e o Erário, levando dezenas para a cadeia. Na 14ª etapa, na última sexta-feira, a complexa empreitada da Justiça e do Ministério Público encarcerou os cabeças das duas maiores empreiteiras do país, mais uma vez graças a delações premiadas.

Não por acaso, batizou-se a última investida de ‘Erga Omnes’, do latim ‘vale para todos’. De fato, persistia no Brasil a certeza de que figurões não iam presos — algo que começou a mudar nos desdobramentos do Mensalão e se intensificou no Petrolão.

Ainda é prematuro afirmar que as investigações do juiz Sérgio Moro estão no fim ou que todos os suspeitos já foram arrolados. À luz do que já foi descoberto e com base nas denúncias do MP — que afirma, nesta 14ª fase da Lava Jato, haver lavagem de dinheiro até fora do país —, desmontam-se as rocambolescas negociatas em diferentes áreas.

Cresce apenas o temor de constatar que a corrupção no Brasil — em vez de ser rara exceção, como desejável — é muito mais do que regra. Seria algo indispensável, vital, obrigatório, genético. Aventa-se em Brasília a possibilidade de o país parar caso se confirme esta tese. Não parece ser o caso de um cataclismo, mas o país não pode recuar de sanear seus sistemas, sua política e sua economia. É questão de justiça e de respeito ao povo que tanto batalha para sustentar a nação.

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