Siro Darlan: A imagem dos juízes

Em junho de 1990, as associações de magistrados do Rio de Janeiro e Fluminense realizaram em Mangaratiba um seminário para avaliar a sua imagem perante a sociedade

Por O Dia

Rio - Em junho de 1990, as associações de magistrados do Rio de Janeiro e Fluminense realizaram em Mangaratiba um seminário para avaliar a sua imagem perante a sociedade. Interessante conclusão, de pouca valia na prática. Concluímos que nos grandes centros a imagem dos juízes é distorcida e tem melhor avaliação no interior. O povo confunde delegado, promotor e defensor público com os membros do Judiciário. A falta de conhecimento dos profissionais da mídia contribui para essa confusão. Parece que a assessoria de imprensa adotada desde então não contribuíra muito, e a mídia continua informando mal. Raramente são corrigidos equívocos nas informações.

Citava-se também um desconhecimento do grau de responsabilidade e do volume de trabalho dos magistrados, dando-se ênfase a fatos excepcionais. Reconheceu-se que há magistrados que contribuem para a imagem negativa porque são “intolerantes, irritadiços, descorteses, impontuais e pouco assíduos”.

Criticava-se, desde então, a falta de planejamento administrativo e a inadequada execução orçamentária. Destacou-se a que as relações entre os juízes e o Tribunal eram de incompreensões e preconceitos. Criticava-se ainda a falta de harmonia entre juízes e promotores e atitude agressiva por parte de advogados em relação aos juízes.

Dentre as recomendações, a de que os juízes fossem às escolas para palestras; editassem livros que mostrem a importância do Judiciário, tivessem cuidado nas informações prestadas à imprensa, determinassem rigorosa apuração de todas as denúncias de corrupção, orientassem os veículos de comunicação sobre o funcionamento da Justiça; esclarecessem fatos mal noticiados e não deixassem de responder aos ataques sofridos pela mídia.

Recomendou-se ainda que seja dada a maior publicidade possível aos atos, à dinâmica e à estrutura do Judiciário e que magistrados escrevessem artigos para publicação nos meios de comunicação social. Foi aconselhado que as práticas orçamentárias fossem transparentes e públicas, com a participação de todos os magistrados.

Passados 25 anos, o Tribunal ganhou o Fundo do Judiciário, alimentado pelas custas e emolumentos, construindo grandes e luxuosos prédios, e as queixas dos jurisdicionados e as críticas da mídia continuam num crescendo. Onde estamos errando?

Siro Darlan é desembargador do TJ e membro da Associação Juízes para a Democracia

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