Ricardo Cravo Albin: Canto para o Museu da Imagem e do Som

A Sala Cecília Meireles regurgitava de gente para assistir à solenidade da entrega de medalhas comemorativas

Por O Dia

Rio - Na quinta-feira, o Museu da Imagem do Som foi celebrado pelos 50 anos de existência. A Sala Cecília Meireles regurgitava de gente para assistir à solenidade da entrega de medalhas comemorativas. Aliás, cunhadas em palco — com martelinho e tudo, com direito às três batidas clássicas — pelo governador Pezão e por Rosa Maria Araújo, a operosa presidenta do MIS. Mas não quero, nem devo, declinar aqui a emoção por que fui tomado. Mas ela foi fortíssima. Ali desenrolava-se, ante meus olhos úmidos, a parte da trajetória singrada por minha vida. É que assumi a direção do museu, que ninguém sabia bem o que era, poucas semanas depois de inaugurado, em 1965. Antes de completar 25 anos, via-me diante do desafio, que parecia não ter começo, e que pressupunha não ter fim.

Para fazer curta uma longa e sofrida, mas estimulante história: eu sempre lá trabalhei de graça por indicação expressa da Fundação Vieira Fazenda, que o abrigava. Mesmo sendo uma fundação, o museu passou a não ter os recursos que vinham da instituição que o construiu, o Banco do Estado da Guanabara. E faltava ao MIS um caráter que lhe determinasse reconhecimento. O que o deixou vulnerável junto ao mantenedor, o Banco do Estado. Fazia-se urgente que o MIS colocasse a cabeça de fora, ante que fosse decepada.

Mas a cabeça foi salva por uma originalidade absoluta, as gravações com personalidade, os depoimentos para a posteridade. Paralelamente, vieram cursos diversos, edições de discos, shows beneficentes, uma revista mensal (‘Guanabara em revista’), e os também famosos prêmios, Golfinho de Ouro e Estácio de Sá, para os melhores criadores e propulsionadores de arte, na música, no cinema, na literatura etc.

E aí se foram sete anos de minha vida, criando eventos, consolidando ideias. E como dizia o bolero cantado por Emilinha, aí se passaram 50 anos, num piscar de olhos. E agora posso sorver a alegria de ver o MIS, o meu amado desafio, prestes a vestir roupa nova, em Copacabana, bordada com os fios do futuro, ajustada pela tesoura de arquitetura perfeita, passada a ferro com o calor da consagração e da bem querência dos cariocas.

Tudo isso é demais. Demais para velhos corações...

Ricardo Cravo Albin é pres. do Inst. Cultural Cravo Albin

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