Milton Corrêa da Costa: Arrastões e os direitos em xeque

Estamos diante de quadrilhas que aterrorizam a sociedade quando a ambiência e o momento lhes são oportunos, acobertados pelo anonimato do grupo

Por O Dia

Rio - Os recentes e chocantes cenas de arrastões nas praias e nas ruas da Zona Sul são sinal de novos tempos de ousadia, violência e desrespeito à ordem pública. São ações perpetradas por jovens desprovidos de qualquer conceito de regra social de conduta, aí inclusos os pretensos justiceiros. Imaginem agora se liberarem o consumo de maconha. As viagens em coletivos, nos fins de semana de intenso calor, serão transformadas em episódios de permissividade e barbárie plenas.

Ainda há quem seja contra a ação preventiva de triagem e revista da PM contra tais bandos, considerando-a discriminatória, mas que, no entanto, se faz extremamente necessária. A missão constitucional da PM é preservar a ordem pública e só se pode preservá-la adotando medidas preventivas, numa ação de polícia proativa, a que não espera acontecer.

Estamos diante de quadrilhas que aterrorizam a sociedade quando a ambiência e o momento lhes são oportunos, acobertados pelo anonimato do grupo. Boa parte desses jovens já se dirige para a orla não com a finalidade precípua do lazer, mas da possibilidade real de delinquir anonimamente mediante a proteção da turba.

Quem vai garantir a segurança do cidadão se a polícia estiver engessada e só puder prender em flagrante de ato infracional ou mediante ordem judicial? Vamos ter que esperar o advento da justiça social plena? A lei penal e a decisão de quem tem competência precisam, portanto, acompanhar a realidade da guerra urbana e da extrema violência dos tempos atuais, concedendo à polícia mecanismos discricionários de atuação. Discricionariedade não é arbitrariedade. É atributo do poder de polícia.

Em meio a tanta violência e barbárie passada para o mundo, o depoimento da turista estrangeira assaltada durante o arrastão choca, causa indignação e envergonha qualquer um. Um ato sobretudo covarde que nos deixa com sentimento de impotência. Qual será a reação dos que protegem os direitos humanos de ‘bandidos sociais’ que ameaçam a incolumidade do cidadão ordeiro? O direito de ir, vir e estar do cidadão e de seus familiares está em xeque ante a ação de marginais. Que os novos tempos de violência e barbárie arrefeçam, em nome da paz social.

Milton Corrêa da Costa é tenente-coronel reform. da PM

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