Wadih Damous: A lama seletiva da polícia de Cunha

A polícia de Eduardo Cunha prendeu jovens e os acusou, pasmem, de crime ambiental

Por O Dia

Rio - Jovens do Movimento Sem-Terra foram presos na última quarta-feira, na Câmara dos Deputados, porque realizavam uma intervenção artística usando lama como forma de protesto. Vieram se manifestar sobre o crime ambiental cometido pela Vale do Rio Doce/Samarco em Minas, mas também denunciar o projeto que tipifica o terrorismo e o projeto do novo código da mineração.

A truculência e a seletividade da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, sob a gestão do deputado Eduardo Cunha, tem tido sempre como alvo integrantes de movimentos sociais, indígenas, estudantes e sindicalistas. O tratamento dispensado é o mesmo: não se permite adentrar a Casa do Povo e, quando nas dependências, são agredidos, presos e impedidos de exercer a cidadania. Até mesmo deputados e advogados são vítimas da intolerância e autoritarismo deste órgão do legislativo.

A polícia de Eduardo Cunha prendeu esses jovens e os acusou, pasmem, de crime ambiental. A ironia da acusação é a triste metáfora de um Brasil que, estarrecido, assiste à maior tragédia ambiental da sua história. Tragédia causada pela displicência criminosa de poderosas empresas que só visam ao lucro, muitas vezes com o beneplácito dos governantes.

A metáfora da teratológica prisão dos jovens sem-terra pela intervenção artística com a lama serve ainda, de forma trágica, de comparação com a situação do próprio presidente da Casa, responsável hierárquico da polícia que prendeu os manifestantes.

Enquanto jovens são algemados e presos na Câmara dos Deputados, em atitude despótica do seu presidente, empresas não são responsabilizadas pelo dano incalculável à vida do Rio Doce e das milhares de pessoas que vivem em suas margens.

Ou seja, o exercício legítimo da cidadania se tornou crime na Casa do Povo, cujo presidente segue impune por desmandos financeiros ainda não devidamente explicados nem admitidos e por manipulações com objetivo de constranger e obstruir os trabalhos do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Wadih Damous é deputado federal pelo PT

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