Deprimido na cadeia, Major Edson deve depor de novo

Oficial acusado de participação na morte do pedreiro Amarildo pode revelar mais detalhes sobre o crime na Rocinha ao MP

Por O Dia

Rio - O estado de depressão na cadeia do major Edson Santos, ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), da Rocinha, abriu a possibilidade de o militar prestar novo depoimento ao Ministério Público ou à Justiça. O oficial pode revelar mais detalhes sobre o assassinato do pedreiro Amarildo de Souza, de 47 anos. Vinte e cinco PMs, entre eles o major, respondem pela tortura e morte da vítima, dia 14 de julho, espancado em um anexo da sede da UPP.

O major Edson está preso no presídio Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó. Nesta terça-feira, no entanto, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) negou que ele tenha tentado se matar.

A hipótese de colaboração do oficial pode até permitir que parte dos acusados seja inocentada. Isso porque, pelo menos, 11 PMs foram denunciados por terem se omitido na hora do crime. O grupo foi trancado no contêiner da sede da UPP, enquanto Amarildo era submetido a sessão de choques com pistola elétrica, afogamento e sufocado com saco na cabeça.

Major Edson está em Bangu 8 e seu depoimento pode inocentar acusadosAlessandro Costa / Agência O Dia

O ex-comandante da UPP foi transferido do Batalhão Prisional, antigo Bep, em Benfica, para Bangu, porque estaria pressionando outros suspeitos a não colaborarem com a Justiça. O mesmo a aconteceu com o tenente Luiz Felipe Medeiros, ex-subcomandante da UPP da Rocinha, também preso.

O Ministério Público apura ainda se o corpo de Amarildo foi retirado da Rocinha em uma das viaturas do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Quatro veículos foram submetidos a perícia com a utilização do luminol — substância que detecta vestígios de material biológico, como sangue. Peritos do Instituto de Pesquisas e Perícias Genética Forense finalizam as análises dos carros do batalhão.

Os policiais são investigados na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) por coação a testemunha e corrupção ativa. Uma mulher teria recebido dinheiro para responsabilizar traficantes pela morte de Amarildo.

Viúva recorre a droga e bebida

Abalada com a morte do marido, Amarildo, há quatro meses, na favela, Elisabete de Souza se entregou às drogas e à bebida. Segundo parentes, ela havia deixado o vício há algum tempo. Eles procuram ajuda para tratá-la.

“Está muito difícil. Ela e os filhos estão desempregados. Ela se queixa que os pequenos pedem as coisas e ela não pode dar e sentem a falta do pai”, contou a cunhada, Eunice Dias. Informada pelo DIA do drama da viúva, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social vai encaminhar Elisabete ao tratamento.

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