Linhas de vans vão passar por mudanças

Secretário anuncia ajustes no sistema. Desde outubro de 2013, transporte precisa possuir GPS

Por thiago.antunes

Rio - O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, informou que o trajeto de 12 linhas de vans que atuam em Jacarepaguá, Barra e Recreio podem sofrer ajustes. Segundo ele, situação semelhante já aconteceu em outros seis itinerários. “Os trajetos foram feitos com base em estudo de campo. Mas o planejamento está sendo confrontado com a prática. Estamos avaliando o pedido dos operadores e vamos decidir em breve”, disse.

Depois do acidente com uma van em itinerário irregular na Taquara, na segunda-feira, quando duas pessoas morreram e 14 ficaram feridas, a equipe do DIA constatou anteontem um ponto irregular de vans (fora do trajeto estabelecido pela prefeitura) em Rio das Pedras, área dominada por milicianos. A Coordenadoria Especial de Transporte Complementar da prefeitura afirmou que realiza fiscalizações nos locais onde há denúncias. Todos os motoristas que saem do trajeto precisam explicar o motivo.

Equipe do DIA verificou na terça-feira um ponto irregular de vans operando em Rio das Pedras%2C área que é dominada pelos milicianosAlexandre Vieira / Agência O Dia

Desde outubro, quando a prefeitura implantou o Sistema de Transporte Público Local (STPL), por meio de licitação das linhas de vans por regiões, na Barra, Jacarepaguá e Recreio, todos os veículos possuem GPS e são monitorados por um centro de controle. A principal reclamação dos operadores é que algumas linhas não são economicamente viáveis, o que induziria os motoristas a criar novos pontos.

“Isso foi uma licitação e os trajetos estavam previamente estabelecidos. Quem for pego fora do trajeto tem que pagar multa. Mas, evidentemente, ajustes podem ocorrer. Isso não dá o direito de o motorista mudar o ponto por conta própria”, afirmou .

A coordenadoria que trata da questão das vans explicou que, enquanto 458 veículos do STPL (66 na Zona Sul e 392 na Barra, Recreio e Jacapaguá) possuem GPS ligados diretamente ao Centro de Controle, outras 4,2 mil vans e kombis ainda rodam sob as antigas regras de transporte especial complementar e não têm a mesma tecnologia.

Em quatro meses, 107 vans foram multadas

Desde outubro do ano passado, a Coordenadoria Especial de Transporte Complementar da prefeitura já multou um total de 107 vans por estarem fora de seus itinerários. Os agentes removeram das ruas, nos últimos quatro meses, 268 vans irregulares e lacraram 143. Em três meses, 761 autuações foram aplicadas.

O especialista em Mobilidade Urbana Nazareno Stanislau Affonso acredita que é preciso uma mudança de cultura para que o problema seja resolvido.

“Os motoristas ficaram muito tempo na informalidade. Eles estão acostumados a fazer o que querem, na hora que querem, e não ligam muito para fiscalização. Isso só vai mudar com o tempo. Não tem jeito. Agora, é fundamental que os que forem pegos fora do trajeto sejam penalizados. Isso estava em contrato, se achavam que a linha não daria retorno financeiro, que não entrassem na licitação”, considerou o técnico.

De acordo com Nazareno, é fundamental que haja planejamento e que os motoristas das vans sejam ouvidos pela prefeitura. “A questão aí é que alguns motoristas querem continuar sendo alternativos e sem fiscalização nenhuma. Eles ficam disputando passageiro com os ônibus e esta concorrência precisa acabar. Para isso, é fundamental que o governo municipal abra um canal de diálogo. E planeje. Sem esquecer que van é um transporte complementar”, disse.

Contra as kombis piratas, a coordenadoria informou que faz um trabalho de fiscalização em parceria com Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), que tem permissão de recolher os veículos das ruas. A multa é de R$ 2.014,26.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia