Manifestantes e policiais entram em confronto durante protesto em Copacabana

Após discussão, grupo que voltava do sepultamento do dançarino DG jogou latas e pedras nos policiais, que responderam com gás lacrimogênio e bombas de efeito moral

Por O Dia

Rio - Um protesto de amigos e familiares do dançarino DG interditou ruas de Copacabana, na Zona Sul do Rio, e terminou em confronto entre manifestantes com policiais do Batalhão de Choque na Rua Sá Ferreira. Após discussão entre as partes, o grupo jogou latas de lixo e pedaços de pedras na direção dos policiais. Os PMs responderam com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

O protesto pelas ruas do bairro começou após enterro do jovem, que foi encontrado morto na manhã de terça-feira em uma creche no Morro Pavão-Pavãozinho. Eles interditaram a Rua Real Grandeza e seguiram em direção ao Túnel Velho, retornando à comunidade. O bando andou espalhado por quatro vias, incluindo a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Ônibus e carros tiveram que achar rotas alternativas, pois o grupo seguiu pelo meio da pista. O trânsito foi desviado para a Rua Francisco Otaviano e Avenida Atlântica.

O policiamento no morro do Pavão-Pavãozinho foi novamente reforçado e um menor teria sido levado para a 13ª DP (Ipanema) por ter participado do quebra-quebra.

Manifestantes que voltavam do sepultamento de DG entraram em confronto com o Batalhão de Choque na Rua Sá Ferreira. Um menor foi detido André Mourão / Agência O Dia

Dançarino é sepultado no São João Batista

Cerca de 500 pessoas compareceram, nesta quinta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul, na despedida do dançarino Douglas Rafael Pereira da Silva, de 26 anos, morto por um tiro na Comunidade Pavão-Pavãozinho na última terça-feira. O sepultamento foi marcado por pedidos de justiça e homenagens a DG, como era conhecido entre seus amigos e familiares. Músicas de funk foram cantadas no momento em que o caixão foi baixado.

A apresentadora Regina Casé, que comanda o programa "Esquenta", onde DG fazia parte, lamentou a morte do jovem e disse que essa sensação de insegurança se espalha pelo Rio inteiro. "Ele era um bom profissional, compromissado, bom caráter, mesmo que não o conhecesse teria sentido da mesma forma", disse Regina.

O pai de DG, Paulo Cesar Calazans Pereira, de 51 anos, disse que seu filho era seu grande orgulho. "Ele ajudava nas despesas de casa e sempre me visitava em Imbariê, em Duque de Caxias, onde eu moro. Se meu filho fez mal a alguém ele tinha que ser preso e julgado e não executado", diz pai da vítima.

Amigos e familiares cantaram funk em homenagem ao dançarino DG durante seu sepultamento no Cemitério São João BatistaFernando Souza / Agência O Dia

Mãe de DG se revolta com aparato policial durante manifestação

Mais cedo, o grupo seguiu pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana e depois pegaram a Rua Figueiredo Magalhães indo em direção ao Cemitério São João Batista. O bando foi escoltado por viaturas de diversos batalhões. Eles gritaram algumas palavras de ordens como "Fora UPP" e cantaram diversos funks, entre eles o "Rap da Felicidade", com o refrão "Eu só quero é ser feliz. Andar tranquilamente na favela onde eu nasci". A mãe do dançarino, Maria de Fátima Silva, criticou a presença da polícia no cemitério.

"Por que os policiais estão aqui? Por que esse aparato todo? Eu não os convidei, é uma despedida familiar. Isso aqui é um protesto do morro, aqui não tem nenhum bandido", disse.

O comércio entre a Rua Barata Ribeiro e a Av. Nossa Senhora de Copacabana, perto da comunidade, está fechado a mando dos traficantes, segundo os lojistas.

Paulo Cesar Calazans Pereira%2C pai de DG%2C não escondeu a emoção durante o velórioAlessandro Costa / Agência O Dia

Nunca pensei que um filho meu fosse morrer antes de mim', diz pai de DG

O pai de Douglas Rafael, afirmou que só soube da morte do dançarino do programa "Esquenta", da Rede Globo, através de outro filho. Ele lamentou a morte de DG e, emocionado, pediu que a justiça seja feita.

"Nunca pensei que um filho meu fosse morrer antes de mim. Também nunca pensei que isso pudesse acontecer a um filho meu. Ele era trabalhador, dançarino. Não era bandido", afirmou Paulo Cesar, ao chegar no velório de DG, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

O pai do dançarino afirmou que esses fatos estão acontecendo somente com as camadas mais pobres da sociedade. "A gente quer justiça, sonhar não custa nada. E no fim das contas, a única justiça que gente tem é a justiça divina. Nunca vi isso acontecer com filho de rico".

Também no velório, Maria de Fátima Silva, mãe de DG, disse que vai brigar para limpar a imagem do filho. "Vou para a Suíça cobrar os meus direitos e lutar pela imagem do meu filho. Ele brigou muito por aquela comunidade que ele chamava de 'meu morrão'. Me jogaram aos lobos e agora vou voltar liderando a alcateia", disse.

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