Polícia ouve motorista e cobrador sobre morte de fotógrafo em frente ao INC

Luiz Cláudio Marigo infartou e morreu, mesmo após pedido de socorro no Instituto do Coração, na última segunda-feira

Por O Dia

Rio - O motorista Amarildo Gomes e o cobrador Reinaldo do Santos, do ônibus que levaram o fotógrafo Luiz Cláudio Marigo até a porta do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), estão na 9ª DP (Catete) na manhã desta sexta-feira, onde aguardam o delegado para prestarem depoimento sobre o caso.

Marigo estava dentro do coletivo quando teve um infarte e morreu, mesmo após o pedido de socorro na unidade de saúde, na última segunda-feira. Parentes e pessoas que estavam no ônibus acusam o hospital de não ter prestado socorro à vítima.

Luiz Cláudio Marigo%2C de 63 anos%2C era fotógrafo especializado em natureza. Ele morreu na segunda-feira após sofrer um infarto e não ser socorrido no INC%2C em LaranjeirasReprodução Facebook

Hospital do coração tinha 35 profissionais de serviço

A crônica do descaso. Os momentos de agonia vividos segunda-feira pelo fotógrafo Luiz Cláudio Marigo, de 70 anos, à espera de atendimento na porta do Instituto Nacional de Cardiologia, em Laranjeiras, teve o acompanhamento indireto de 35 profissionais da Saúde. Dentro do hospital, estavam de plantão naquele dia nas enfermarias, unidades de tratamento intensivo e nos ambulatórios pelo menos 13 médicos e 22 enfermeiros e auxiliares de enfermagem — pessoas habilitadas a prestar os primeiros socorros.

Um dos principais centros de referência de Cardiologia no país, o hospital de Laranjeiras tem dois médicos de plantão em cada um dos quatro CTIs. Outros cinco estavam de serviço nos ambulatórios. Ninguém socorreu o fotógrafo. Ele morreu sem que os apelos de moradores convencessem a triagem de pacientes na unidade sobre a necessidade do socorro.

Os dados sobre os médicos e profissionais de plantão no Instituto de Cardiologia na segunda-feira foram pedidos pelos agentes da 9ª DP (Catete), que ontem também analisaram as imagens de prédios vizinhos ao hospital — localizado na Rua das Laranjeiras. Os policiais querem provas sobre o tempo de espera e a insistência dos moradores em pedir atendimento ao fotógrafo.

Instituto de Cardiologia: polícia quer provas sobre tempo de espera e de como foi a recusa no atendimentoAlessandro Costa / Agência O Dia

O hospital há três dias não divulga a lista completa dos médicos e enfermeiros que trabalharam na unidade na segunda-feira — dia da morte de Marigo —, pedida pelo DIA . Também não falou sobre a escala de serviço dos médicos que trabalham na direção do INC — como O DIA mostrou nesta quinta, a diretora técnica do instituto, Cynthia Karla Magalhães, acumula suas funções com outras dois empregos.

“Não se pode fazer escolha de Sofia. A direção não pode delegar a um segurança a tarefa de avaliar a urgência do atendimento. A diretora (Cynthia Magalhães) tenta colocar a culpa nas costas de um profissional terceirizado para livrar médicos, enfermeiros e auxiliares, que poderiam ter prestado o socorro”, sustenta o advogado Márcio Donnici, que representa a família de Luiz Marigo. Para o advogado, a versão da direção do hospital — de que houve um mal entendido na recepção do instituto — é desmontada a cada nova testemunha. “O depoimento do Bruno Py (um dos passageiros do ônibus) é taxativo. Mostra que houve omissão de socorro.”

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